A guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã se intensificou durante o fim de semana, com uma série de ataques a instalações civis de infraestrutura ao mesmo tempo que diplomatas da região mantinham negociações para tentar acalmar o conflito.
No domingo, Mohammad Bagher Ghalibaf, um dos principais comandantes militares do Irã, acusou os EUA de usarem iniciativas diplomáticas como fachada para se preparar para operações militares terrestres na república islâmica e avisou: “Nossos homens estão à espera”.
Ghalibaf fez a declaração enquanto os ministros das Relações Exteriores de Paquistão, Turquia, Egito e Arábia Saudita estavam reunidos em Islamabad para discutir opções para convencer os EUA e o Irã a aceitarem um acordo para encerrar a guerra. Segundo o gabinete do primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, Islamabad trabalha para levar “tanto os EUA quanto o Irã para a mesa de negociações”.
Mas não havia nenhum sinal de avanço no campo diplomático, enquanto aviões de guerra americanos e israelenses continuavam a bombardear Teerã e outras cidades iranianas e mais 3.500 soldados americanos chegavam à região.
O regime islâmico retaliou com uma série de ataques com mísseis e drones contra Israel e os países aliados dos EUA no Golfo, inclusive contra uma fábrica israelense de produtos químicos no sul do país no domingo e contra fábricas de alumínio nos Emirados Árabes Unidos e no Bahrein no sábado.
A empresa Emirates Global Aluminium, uma das maiores produtoras de alumínio do mundo, informou que sua unidade de Al Taweelah, em Abu Dhabi, sofreu danos “expressivos”. A Alba, do Bahrein, informou que suas instalações foram atingidas no mesmo dia.
Esses ataques ocorreram 24 horas depois de o Irã anunciar que duas de suas maiores siderúrgicas foram bombardeadas, o que levou ao fechamento de uma delas e prejudicou uma fonte vital de receitas de exportação não ligadas ao petróleo da república islâmica.
Autoridades iranianas disseram que uma universidade em Teerã e outra em Isfahan estavam entre os edifícios atingidos por ataques aéreos durante o fim de semana, assim como um reservatório de água na província iraniana do Khuzistão. Segundo meios de comunicação do Irã, uma autoridade afirmou que não havia nenhuma falta de água na província.
O Irã também continuou a disparar mísseis e drones contra bases que abrigam forças americanas na região.
Na sexta-feira, um ataque à base aérea Príncipe Sultan, na Arábia Saudita, deixou 12 soldados americanos feridos e danificou uma das aeronaves de vigilância E-3 Sentry dos EUA, segundo duas fontes a par da situação. O avião, avaliado em US$ 270 milhões, é essencial para operações de combate, pois fornece às forças americanas informações cruciais sobre o campo de batalha em tempo real. Foi um dos golpes mais significativos contra as forças armadas americanas desde o início da guerra.
Comandante militar iraniano acusou EUA de usar diplomacia como fachada
O Irã tem avisado repetidamente que retaliará na mesma medida os ataques que sofrer. No domingo, a Guarda Revolucionária do Irã avisou que universidades israelenses e americanas na região passarão a ser consideradas como “alvos legítimos” a não ser que Washington condene os ataques contra instituições iranianas.
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou na quinta-feira que ampliou para dez dias o prazo do ultimato para que o Irã permita a livre circulação de navios de carga pelo Estreito de Ormuz. Caso contrário, os EUA bombardeariam suas usinas de energia. Trump insistiu que as negociações com o Irã para pôr fim à guerra estavam “em andamento” e “indo muito bem”.
Na semana passada, Washington enviou a Teerã, por meio de mediadores paquistaneses, um plano de 15 pontos para parar a guerra. Mas os líderes iranianos rejeitaram as condições de Trump e apresentaram exigências próprias para encerrar o conflito. Diplomatas da região afirmam que não há nenhuma negociação formal e as mensagens trocadas entre os dois inimigos são transmitidas por meio de mediadores.
O ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Ishaq Dar, afirmou no sábado que o Irã aceitou permitir que mais 20 navios com bandeira paquistanesa cruzem o Estreito de Ormuz, por onde normalmente passa cerca de um quinto do petróleo e do gás do mundo.
Entre as novas forças americanas que chegaram à região na sexta-feira estão cerca de 2.200 fuzileiros navais da 31ª Unidade Expedicionária, que tem treinamento especializado para desembarques e ataques anfíbios. No total, Trump está enviando 10 mil soldados adicionais para o Oriente Médio, inclusive uma segunda Unidade Expedicionária de Fuzileiros Navais e uma força de paraquedistas de elite da 82ª Divisão Aerotransportada do Exército.
Em mais uma indicação de que o conflito se intensificou em toda a região, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, ordenou que as forças armadas israelenses ampliem sua invasão do Líbano, onde combatem o Hezbollah.
Rebeldes houthis no Iêmen também dispararam dois mísseis contra Israel no fim de semana, os primeiros ataques do movimento militante apoiado pelo Irã desde o início da guerra. O grupo, que tem causado transtornos graves para o transporte de carga no Mar Vermelho nos últimos anos, se mantinha fora do conflito até então.
(Colaboraram Najmeh Bozorgmehr, de Teerã, e Mehul Srivastava, de Tel Aviv. Tradução Lilian Carmona)
Fonte: Valor Econômico
