Após os riscos inflacionários dominarem as atenções dos mercados globais nas últimas semanas, os riscos ao crescimento global derivados da disparada dos preços do petróleo começam a afetar a dinâmica dos ativos financeiros.
A mudança tem sido ancorada, principalmente, no comportamento dos juros globais. Após a disparada inicial desde o início da guerra, o mercado, agora, começa a incorporar nos preços alguma preocupação em relação ao crescimento global, o que provoca, desde sexta-feira, um ajuste de queda nas taxas de longo prazo, principalmente.
“Os mercados já estão mais preocupados com o crescimento do que estavam antes”, notam os estrategistas Dominic Wilson e Vickie Chang, do Goldman Sachs. “A questão central agora é quando essa preocupação com atividade passará a se sobrepor ao temor inflacionário, levando as taxas de juros a cair.”
“Como os yields ainda seguem, de forma geral, em alta — acompanhando o avanço do petróleo e a queda das bolsas —, esse ponto ainda não foi atingido. Ainda assim, durante o ‘sell-off’ das ações em 27 de março, as taxas mais curtas chegaram a cair pela primeira vez, mesmo com alta nos vencimentos mais longos”, observam os profissionais ao se referirem ao mercado americano.
Para eles, um aperto mais intenso das condições financeiras ou uma deterioração mais clara nos indicadores econômicos pode ajudar a deslocar o foco do mercado de forma mais firme para a fraqueza do crescimento. “Uma nova alta relevante dos preços do petróleo a partir dos níveis atuais também pode contribuir para essa mudança de dinâmica.”
Na manhã desta segunda-feira, com o petróleo WTI em US$ 101 e o Brent a US$ 115, o mercado, de fato, começa a se atentar aos riscos do crescimento de forma mais explícita. Por volta de 7h30 (de Brasília), as taxas dos Treasuries sustentavam queda leve, enquanto na zona do euro e no Reino Unido os mercados de juros rondavam a estabilidade. Vale notar, porém, que enquanto o Federal Reserve (Fed) tem uma preocupação com a atividade maior, já que o mercado de trabalho faz parte de seu mandato, outros bancos centrais têm como alvo somente a inflação.
Fonte: Valor Econômico
