O Comitê Bancário do Senado dos Estados Unidos deve aprovar na quarta-feira a indicação, pelo presidente Donald Trump, do ex-diretor do Federal Reserve (Fed) Kevin Warsh para assumir a liderança do banco central americano. A votação está marcada para as 11h (de Brasília) e depois avança para o plenário da Casa.
O senador republicano Thom Tillis afirmou no fim de semana que iria apoiar a indicação de Warsh após o Departamento de Justiça dos EUA (DOJ, na sigla em inglês) encerrar a investigação criminal contra o Fed e seu atual presidente, Jerome Powell. Até então, Tillis ameaçava barrar a aprovação de Warsh, e de qualquer nome a ser indicado por Trump, alegando que o inquérito teria motivação política.
Como o comitê é dividido entre 12 republicanos e 10 democratas, o apoio de Tillis é essencial para a aprovação de Warsh. Agora, com a maioria republicana garantida, a indicação deve seguir para o plenário, que também conta com maioria do partido de Trump. Todos os democratas se opõem à nomeação.
Warsh participou de uma sabatina com os membros do Comitê Bancário do Senado na semana passada, na qual negou que Trump tenha pedido que ele se comprometesse com qualquer decisão de juros. “O presidente nunca me pediu para predeterminar, me comprometer ou tomar qualquer decisão sobre taxas de juros em nenhuma de nossas conversas, nem eu jamais concordaria em fazê-lo”, afirmou. O ex-diretor também disse que não seria um “fantoche” de Trump, que vem criticando o Fed e afirmando que os juros deveriam estar mais baixos.
No entanto, questionado se o presidente havia perdido as eleições de 2020, Warsh se esquivou: “Tentaremos manter a política fora do Fed se eu for confirmado”, disse.
O mandato do atual presidente do BC americano vai até 15 de maio e, com a iminente confirmação de Warsh, é possível que essa seja sua última reunião de política monetária como membro do Fed. A maior parte dos presidentes costuma deixar o BC americano ao fim do exercício, mas participantes do mercado se questionam se essa será a decisão de Powell, que pode permanecer no conselho.
Em um momento em que a Casa Branca vem aumentando a pressão sobre o Fed, Powell disse na última reunião que sua escolha de permanecer seria baseada no que ele acha “melhor para a instituição”. Com a saída do atual presidente, caberia a Trump indicar um novo membro para a sua vaga.
O Bank of America (BofA) acredita que o atual presidente deve seguir como membro até, ao menos, o fim da investigação contra a diretora Lisa Cook, acusada de ter cometido fraude hipotecária. “Nossa melhor estimativa é que ele permaneça pelo menos até que a Suprema Corte se pronuncie sobre o caso de Lisa Cook (e possivelmente por muito mais tempo). Mas ele pode optar por não revelar seus planos por enquanto”, afirmam os estrategistas Mark Cabana e Alex Cohen e o economista Aditya Bhave.
Cook argumenta que o inquérito é uma tentativa do governo americano de influenciar as decisões de política monetária do Fed.
Ian Lyngen e Vail Hartman, estrategistas de renda fixa do BMO Capital Markets, esperam que os operadores passem a precificar mais cortes de juros caso Powell sinalize que sairá do Fed. “Um Fed liderado por Warsh é visto como mais propenso a cortar juros”, afirmam. “Ainda assim, não acreditamos que Warsh conseguirá construir consenso para cortes nos seus primeiros meses sem apoio de uma piora dos fundamentos.”
Fonte: Valor Econômico
