Mesmo com a forte aversão a risco que contaminou os ativos globais, o fluxo estrangeiro para as ações brasileiras não foi interrompido em março. As entradas no mercado acionário doméstico se mantiveram, ainda que em menor volume, somando cerca de R$ 5 bilhões até o dia 18.
Em meio à escalada das tensões no Oriente Médio e à disparada do petróleo no mercado internacional, com o barril do Brent encostando em US$ 120 nesta semana, investidores buscaram proteção. As maiores compras se concentraram em ações de petróleo e de serviços públicos, destaca o chefe da corretora do Scotiabank no Brasil, Michel Frankfurt.
No acumulado do mês, dados compilados pelo Scotiabank apontam que os aportes em petroleiras chegaram a US$ 1,2 bilhão, enquanto papéis de utilities receberam US$ 400 milhões, com destaque para a Auren Energia. Os números consideram não apenas o mercado à vista, mas também derivativos.
“Acho que o estrangeiro comprou petroleiras para se posicionar para uma piora do quadro do petróleo — e ele está acertando. Os preços do óleo bruto seguem em alta, e pode haver uma aposta de que a situação piore antes de melhorar”, afirma Frankfurt.
Ao considerar o peso do Brasil em cada ETF, o Itaú BBA estima que esses fundos trouxeram R$ 27,8 bilhões neste ano, o equivalente a cerca de 68% do fluxo total da B3Cotação de B3. Ainda assim, os fundos dedicados ao Brasil registraram saída líquida na última semana, enquanto a América Latina teve fluxo de entrada.
Em relatório, a equipe de estrategistas do BBA, liderada por Daniel Gewehr, destaca que o indicador de amplitude estrangeira, que varia de 0 a 100 e mede o percentual de ações do Ibovespa com fluxo líquido positivo, está em 58 no acumulado do ano. No mês, recuou para 41, sinalizando maior concentração dos fluxos, principalmente em nomes de óleo e gás e utilities.
Segundo Frankfurt, do Scotiabank, a compra de petroleiras brasileiras também reflete uma forma de se expor ao petróleo a preços mais atrativos, além de funcionar como proteção em caso de aumento do risco geopolítico.
Na sessão de ontem, porém, as ações da Petrobras terminaram o dia em queda, ao serem pressionadas pela piora no sentimento de risco ao redor do globo em meio à escalada nas tensões no Oriente Médio. No fim do dia, os papéis preferenciais recuaram 3,38% e os ordinários caíram 2,56%.
Fonte: Valor Econômico
