Por Alessandra Saraiva, Valor — Rio
24/08/2023 12h17 Atualizado há 22 horas
O clima econômico brasileiro, apurado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) por meio de entrevistas com especialistas e analistas de mercado, registrou o mais elevado patamar em 11 anos no terceiro trimestre de 2023. É o que informou nesta quinta-feira a FGV ao divulgar a Sondagem da América Latina referente ao terceiro trimestre.
Na pesquisa, a fundação informou que o ICE do continente latino-americano saltou de 65,8 pontos para 99,6 pontos entre segundo e terceiro trimestre. Para Lia Valls, pesquisadora da fundação responsável pela sondagem, o Brasil impulsionou a melhora do indicador referente à América Latina.
O ICE no país subiu de 58,8 pontos para 121,4 pontos, no mesmo período, melhor pontuação desde quarto trimestre de 2012 (125,3 pontos). A aprovação da reforma tributária e informações mais detalhadas sobre arcabouço fiscal levaram à melhora do clima brasileiro, explicou ela. Com isso, o clima brasileiro vai para quadrante favorável do índice, acima de 100 pontos, notou ela.
“Ocorreu uma mudança de patamar [no ICE do Brasil]” disse.
Ao detalhar a melhora no clima econômico brasileiro, a especialista ponderou que houve nítida melhora na conjuntura macroeconômica do país, nos últimos meses. Ela lembrou que houve divulgação do PIB do primeiro trimestre, com alta de 1,9% ante quarto trimestre, acima das projeções de mercado. Ao mesmo tempo, os indicadores inflacionários mostraram desaceleração continua, e até mesmo queda, ao longo de 2023.
“A questão da reforma tributária, a percepção de controle mesmo da inflação e a questão do arcabouço fiscal foram fatores positivos [para a melhora do ICE no Brasil” enumerou.
Ao ser questionada se há possibilidade de o ICE brasileiro continuar a subir, a especialista respondeu que isso dependerá da conjuntura macroeconômica, nos próximos meses. Ela observou que, caso as condições continuem as mesmas, como as atuais, favoráveis, nada impede que o clima brasileiro apurado pela pesquisa continue a crescer.
“Não se espera grandes melhoras no segundo semestre [na economia brasileira]”, disse a técnica, a lembrar que as projeções para o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre, por exemplo, a ser anunciado na próxima semana, são de economia mais fraca. “Dependerá de como vierem os dados [macroeconômicos do país]”, afirmou.
Fonte: Valor Econômico