A guerra no Irã pode levar o Federal Reserve (Fed) a adiar ainda mais os cortes de juros e até mesmo elevar as taxas, afirmou ao Financial Times o diretor de investimentos (CIO) da Pimco, Dan Ivascyn.
O executivo da gestora de renda fixa disse que a disparada dos preços de energia ligada ao fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã cria um novo desafio para os formuladores de política monetária dos EUA, que vêm enfrentando dificuldades para trazer a inflação de volta à meta de 2% do banco central, informou o Financial Times, citando entrevista.
“Os EUA estão mais distantes disso, mas você verá mais aperto monetário, como parece hoje na Europa, no Reino Unido e talvez até no Japão — e eu também não descartaria completamente isso para os EUA”, disse Ivascyn ao FT.
Ele acrescentou que qualquer redução dos juros nos EUA seria contraproducente “dada a dinâmica inflacionária e a incerteza em torno da inflação”, afirmando que tal movimento “poderia muito bem levar a taxas intermediárias e longas mais altas”.
A presidente-executiva da Franklin Templeton, Jenny Johnson, disse ao FT que “a inflação será mais difícil de controlar” para o Fed. Segundo ela, investidores estão demonstrando maior apetite por ativos protegidos contra a inflação.
O Fed manteve os juros inalterados em suas duas últimas reuniões. Poucos participantes do mercado esperam altas de juros no curto prazo, mas aumentou a incerteza sobre os próximos passos do banco central.
Três presidentes regionais do Fed — Lorie Logan, Neel Kashkari e Beth Hammack — divergiram da decisão de política monetária em abril, afirmando que o colegiado tinha uma inclinação excessiva para afrouxar a política monetária.
A votação de 8 a 4 na decisão de abril foi a primeira desde 1992 em que quatro dirigentes votaram contra a medida adotada.
O presidente Donald Trump vem pressionando o Fed a reduzir os juros desde que retornou ao cargo.
Em nota divulgada na sexta-feira, analistas do Goldman Sachs escreveram que esperam que o Fed adie seus próximos dois cortes de juros para dezembro de 2026 e março de 2027, com os custos de energia mantendo a inflação do núcleo do PCE próxima de 3%.
Fonte: Valor Econômico
