Por Cheng Leng e William Langley, Financial Times — Hong Kong
07/09/2022 00h46 Atualizado há 13 horas
As exportações chinesas ficaram bem abaixo das previsões em agosto, reduzindo o superávit comercial do país. Essa queda reflete a estagnação da demanda externa pelos produtos chineses e pela nova onda de restrições contra a covid-19 na China, que tem desestabilizado a produção e a logística.
As exportações chinesas cresceram 7,1% ao ano em agosto, bem abaixo dos 18% registrados em julho, segundo números oficiais divulgados ontem. Esta foi a primeira desaceleração desde abril.
O superávit comercial do país encolheu para US$ 79,4 bilhões, bem abaixo das expectativas do mercado de US$ 92,7 bilhões e do recorde de US$ 101,3 bilhões registrado em julho.
O comércio exterior era uma fonte de crescimento da economia chinesa, afetada por uma crise de liquidez no setor imobiliário e pelos lockdowns da estratégia do presidente da China, Xi Jinping, de tolerância zero à covid. Segundo analistas, a desaceleração em agosto representa o início do fim do ciclo de alta das exportações, que sustentaram a segunda maior economia do mundo após os estágios iniciais da pandemia em 2020.
“O enfraquecimento das exportações chegou mais cedo do que o esperado, uma vez que dados recentes de transporte marítimo indicam que a demanda dos EUA e da UE já se desacelerou [e] que os preços do transporte caíram significativamente”, disse Zhou Hao, da corretora Guotai Junan International, em Hong Kong.
Os dados mais fracos chegam na esteira da queda da produção industrial na Europa e em outros lugares da Ásia, com a alta inflação e o aumento dos preços das fontes de energia afetando a demanda dos consumidores.
A produção na segunda maior economia do mundo foi prejudicada por uma nova rodada de lockdowns em agosto, que prejudicou centros industriais e de exportação como Yiwu, na província de Zhejiang, no sudeste do país.
O país também enfrentou secas e ondas de calor, que provocaram falta de energia e obrigaram várias províncias e cidades a suspender ou restringir o fornecimento de eletricidade às fábricas.
As importações também ficaram abaixo das estimativas. Aumentaram apenas 0,3% em agosto na comparação anual, abaixo das projeções de crescimento de 1,1%.
“O impacto dos preços continuará a prejudicar o desempenho do comércio exterior — em termos reais, o crescimento das importações da China passou a ser negativo desde o fim do primeiro trimestre, sinalizando que o lado da demanda ainda enfrenta ventos contrários”, acrescentou Zhou.
Analistas alertaram para a possibilidade de que as exportações chinesas — que tiveram forte alta no início da pandemia graças à forte demanda por produtos eletrônicos — caiam ainda mais, uma vez que grande parte do mundo começa a tratar a covid como endêmica e a perspectiva de uma recessão mundial ganha força.
“Agora que a maioria das economias reabriu, os padrões de consumo estão voltando a passar dos bens duráveis para os serviços”, escreveram analistas da consultoria Capital Economics. “Mais à frente, a alta inflação e as condições financeiras mais apertadas em outros lugares também serão um obstáculo cada vez maior para a demanda externa por produtos chineses.”
Fonte: Valor Econômico


