As discussões sobre terras-raras, infraestrutura para IA e commodities recolocaram o Brasil no radar do investidor global em 2026, mas a entrada do capital estrangeiro ainda não representa uma mudança nos fundamentos econômicos, segundo Alexandre Bettamio, co-chefe global de investimentos do Bank of America.
O saldo dos estrangeiros na bolsa é positivo em R$ 25 bilhões no ano na B3. Para o executivo, o xadrez de guerras e tarifações da geopolítica global fez o investidor reconsiderar o Brasil como um local de “ativos reais”: água e energia em abundância, infraestrutura, escala e um papel relevante na segurança alimentar do planeta.
Nesse cenário, o país passou a ser atraente, mas continua de fora da “primeira página do cardápio, talvez mais ali nos pratos exóticos” do mercado internacional, disse Bettamio em jantar com empreendedores de tecnologia promovido pela Endeavor nesta quarta-feira em São Paulo.
O exotismo brasileiro caminha em paralelo com a tese do excepcionalismo americano, que voltou a ganhar força com Donald Trump, passando de 40% para 63% do capital global nos últimos 15 anos, segundo ele. A corrida da inteligência artificial reforça a tendência, com a abertura de capital histórica de US$ 88 bilhões da SpaceX em junho e a expectativa de listagem de Anthropic e OpenAI.
Bettamio aponta que, para o Brasil receber parte desse capital altamente concentrado nos EUA, o país precisa fazer a lição de casa. O executivo do BofA defende que se faça um choque de gestão fiscal já pelo novo governo em 2027, o que criaria condições para queda de juros e, segundo ele, permitiria ao Brasil recuperar o grau de investimento em três a quatro anos.
Segundo o banqueiro, a agenda econômica não é de difícil implementação, mas falta vontade política. “Os caminhos são relativamente óbvios”, afirma.
Fonte: Valor Econômico


