O Brasil, como apontou o Intraday, segue sendo tratado como o “queridinho” dos investidores globais. Em um acompanhamento mensal feito pelo J.P. Morgan dentro de uma amostra de 56 fundos dedicados a ações de mercados emergentes, o país aparece com o maior número de posições “overweights” [“OW” — com alocação acima do índice de referência] do mundo. A alocação otimista, inclusive, aumentou no mês de março, reforçando a ideia de que o país acaba sendo um vencedor relativo do cenário geopolítico mais turbulento.
De acordo com o levantamento do J.P. Morgan, no fim de março, 28 dos 56 fundos acompanhados possuem, atualmente, uma alocação maior do que 2 pontos percentuais no Brasil em relação ao MSCI Emerging Markets — índice de referência para o mercado emergente. No mês anterior, eram 24 fundos. Apenas um fundo possui visão negativa para o país e, portanto, o saldo líquido do Brasil, que subtrai os fundos que possuem subalocação (“underweight” UW, com alocação abaixo do índice de referência) é de 27.
O segundo país da lista é a Coreia do Sul que possui 17 fundos sobrealocados nas ações do país. No entanto, há 12 “underweights”, deixando o país com um saldo líquido positivo de apenas 5. Todos os outros grandes mercados emergentes [China+Hong Kong; África do Sul; China; Taiwan; Índia; e Arábia Saudita] têm saldos líquidos negativos.
As visões mais negativas, momentaneamente, se concentram na Arábia Saudita, com uma posição “OW” e 35 “UW”, e na Índia, com quatro exposições “OW” e 34 “UW”.
Dentre os países que representam cerca de 2% ou menos do “benchmark”, o México concentra sete posições otimistas e seis pessimistas, com saldo líquido positivo de 1.
“O principal destaque do levantamento é que o consenso aumentou a alocação para América Latina, China e África do Sul em março. Os ‘overweights’ líquidos em Brasil e México subiram para 27 (ante 23) e 1, respectivamente. Os ‘underweights’ líquidos em China+Hong Kong e África do Sul caíram para 7 (ante 9) e 9 (ante 10), respectivamente”, apontam os estrategistas do J.P. Morgan.
Para eles, o movimento indica claramente um aumento da alocação em commodities, impulsionado por desequilíbrios entre oferta e demanda, inflação elevada e prêmios relevantes de risco geopolítico decorrentes do conflito no Oriente Médio. “Mantemos posição ‘overweight’ em China, Brasil e África do Sul”, revelam.
O levantamento aponta que a alocação dos fundos no Brasil, atualmente, gira em torno de 7,7%, contra um peso aproximado de 5,1% no MSCI EM. A Coreia do Sul, por outro lado, tem um peso de 15,5% no MSCI EM, mas a alocação dos fundos, atualmente, representa 14,2% dos portfólios.
Fonte: Valor Econômico
