O Brasil ampliou a exportação de minerais estratégicos para a China no primeiro trimestre de 2025. O avanço foi puxado por cobre, cujos embarques quase triplicaram ante igual período do ano passado, mas o aumento aconteceu também em manganês, ferroníquel e elementos raros, mostra boletim divulgado nesta quarta-feira (16) pelo Conselho Empresarial Brasil China (CEBC).
Os minerais críticos, considerados recursos essenciais para setores estratégicos, como tecnologia, defesa e transição energética, entram mais no centro do radar porque nesta terça-feira (15) o presidente dos EUA, Donald Trump, ordenou investigação sobre a necessidade de tarifas sobre eles.
As exportações de minério de cobre para a China no primeiro trimestre atingiram recorde de US$ 331 milhões, 180% a mais do que no mesmo período de 2024, com participação de 2% no total das vendas para o país. O resultado, diz estudo assinado por Tulio Cariello, diretor de conteúdo e pesquisa do CEBC, foi alavancado pela valorização de 18% no preço do mineral e pelo aumento de 79% do volume embarcado, que chegou a 124 mil toneladas – a maior marca registrada para o período. Entre os dez produtos mais exportados para a China no primeiro trimestre, o minério de cobre teve o maior crescimento relativo, tanto em valor quanto em volume.
Com participação de 35%, a China foi o principal destino das vendas de minério de cobre nacional nos três primeiros meses do ano, seguida por Bulgária (18%) e Alemanha (15%), indica o boletim . A demanda chinesa por minerais usados na indústria de transição energética tem transformado o país em um mercado importante para o Brasil. No ano passado, a China foi o principal cliente dos produtores de minério de cobre nacionais no exterior, com participação de 20% – o único parceiro asiático entre os cinco principais destinos, que incluíram exclusivamente países europeus. Em 2014, a China tinha participação de 11%, atrás da Alemanha, da Polônia e da Índia, o que evidencia os ganhos de participação do gigante asiático.
Ainda segundo o levantamento, o volume das vendas de outros materiais usados na indústria verde também aumentou no primeiro trimestre, incluindo manganês (310%), ferroníquel (253%), cobre afinado e ligas de cobre (56%), obras de nióbio (35%) e ferronióbio (13%). As exportações de compostos de metais de terras raras de ítrio e escândio chegaram a 419 toneladas – volume sete vezes maior do que o registrado em todo o ano de 2024. Os embarques de carbonato de lítio somaram 56 toneladas nos três primeiros meses de 2025, sem registros de vendas no mesmo período do ano anterior – ainda que no acumulado de 2024 o Brasil tenha vendido 266 toneladas do material para a China, que absorveu 91% das exportações nacionais.
O aumento dos embarques de minerais verdes aconteceu mesmo com a queda no valor da exportação total brasileira à China. De janeiro a março, o embarque total rumo ao país asiático somou US$ 19,8 bilhões, 13,4% a menos que em igual período de 2024 e a primeira queda para o período desde 2015. O movimento foi causado pela contração dos preços ou do volume embarcado de algumas das principais commodities destinadas ao país asiático, como minério de ferro e petróleo.
Fonte: Valor Econômico
