Em meio a um longo período de taxas de juros mais altas no Brasil e de correção na renda variável, a avaliação da Verde Asset é a de que ações de empresas não ligadas a commodities estão com uma “assimetria interessante” e que poderiam ser beneficiadas no caso de uma eventual vitória da direita nas eleições deste ano. Porém, como o cenário eleitoral ainda é muito incerto, a melhor maneira que a gestora encontrou para se posicionar em bolsa local neste momento foi por meio de opções.
“No caso de o incumbente se reeleger, achamos que o mercado de ações vai ficar mais ou menos de lado, mas talvez tenha uma pequena queda”, diz. “Já no caso de uma vitória da direita, achamos que o mercado poderia se empolgar com uma queda importante na taxa de juros, o que poderia reprecificar todo esse pedaço da bolsa [fora commodities] para cima. O jeito de se posicionar para essa assimetria é usando opções”, observa o gestor das estratégias de multimercado e previdência da Verde Asset, Luiz Parreiras, em entrevista realizada no estúdio do Valor na Expert XP.
Para ele, a bolsa é, hoje, o ativo que possui a maior assimetria e que a casa consegue se posicionar de maneira mais “eficiente”. “O mercado de juros, por exemplo, também tem uma assimetria interessante, mas eu não consigo me posicionar usando opções em que se eu estiver certo eu ganho bastante, e se eu estiver errado, eu perco muito pouco”, exemplifica. “A bolsa tem uma combinação de assimetria, com um instrumento eficiente para alocar, além de um preço atrativo.”
Embora defenda que o mercado de juros possui assimetrias no momento, Parreiras avalia que os prêmios ainda são “insuficientes” para que ele monte uma posição. “Não vemos prêmio suficiente para aplicar [aposta na queda dos juros]. Vemos uma situação fiscal supercomplicada e dependente do que vai acontecer na eleição. Do outro lado, também não achamos óbvio em termos de risco e retorno apostar no ‘trade’ de que os juros [locais] vão continuar subindo”, explica.
Parte da insegurança em adotar uma posição mais direcional em juros locais também está ligada à visão do executivo de que há uma probabilidade “não desprezível” de que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) possa ter de elevar os juros neste ano, o que “empurrará para cima todas as curvas de juros globais”.
Parreiras chama atenção para a postura adotada pelo novo presidente do Fed, Kevin Warsh, após assumir o cargo em maio deste ano. Antes de iniciar a sua gestão à frente da autoridade monetária americana, o gestor explica que havia uma expectativa no mercado de que Warsh fosse adotar uma postura mais tolerante com a inflação para poder reduzir um pouco mais os juros americanos – algo bem diferente da sinalização do dirigente em seus primeiros discursos.
“Na primeira reunião dele à frente do Fed, Warsh foi um banqueiro quase alemão. Foi muito duro e unicamente focado na inflação”, diz. “Semana que vem [nesta semana], teremos reunião de novo. Acho que as pessoas estão em fase de aprender a reprecificar o Kevin Warsh na liderança do Fed”, acrescenta o executivo, que vê uma chance de que a autoridade tenha que apertar as taxas em um contexto de alta do petróleo e de uma postura mais “hawkish” de Warsh.
Fonte: Valor Econômico
