A parceria de desenvolvimento produtivo (PDP) prevê a transferência total de tecnologia para a Fiocruz
A farmacêutica indiana Biological E. venceu uma chamada pública da Fiocruz e vai fornecer ao Brasil, nos próximos anos, uma vacina pneumocócica conjugada voltada ao combate de pneumonia e meningite. A parceria de desenvolvimento produtivo (PDP) prevê a transferência total de tecnologia para a Fiocruz, em um modelo inédito, para a produção da vacina PCV-14.
O diretor-geral da Biological E. para América Latina, César Rengifo, afirma que o negócio faz parte da expansão geográfica estratégica da farma. A ideia é que o Brasil se torne um polo regional para produção e exportação da PCV-14 em toda a América do Sul e também para os demais países do bloco BRICS – Rússia, China e África do Sul.
“O modelo de produção da Fiocruz é um exemplo, não apenas para a América Latina, e a pandemia mostrou como é importante que os países tenham uma independência total na produção, desde o Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA)”, afirma o executivo ao Valor.
O processo inclui investimento inicial de R$ 5 milhões em estudos clínicos para o desenvolvimento da “pneumocócica brasileira”. A expectativa da farmacêutica indiana é de que o processo seja concluído em um prazo médio de três a quatro anos, quando a Fiocruz poderá atender integralmente à demanda brasileira. Até lá, as 8 milhões de doses anuais serão disponibilizadas pela Biological E.
As redes pública e particular do Brasil já contam com vacinas pneumocócicas, como a Pneumo 10 e a Pneumo 15, que protegem contra, respectivamente, dez e quinze sorotipos de bactérias pneumococos, causadoras de pneumonia, meningite e otite.
Uma outra versão disponível no Sistema Público de Saúde (SUS) é a Pneumo 23, para pessoas a partir dos dois anos de idade. A ideia da nova PCV-14, segundo Rengifo, é atualizar a proteção dos brasileiros contra os 14 sorotipos que mais circulam atualmente. É um processo semelhante à revisão anual das cepas de influenza que compõem a vacina da gripe, por exemplo.
“O governo implementou a vacina pneumocócica há mais de dez anos e controlou bem a doença. Há um comportamento de quando você suprime alguns sorotipos, outros se sobressaem e se tornam importantes”, diz.
A Biological E., embora não disponibilize ainda o preço por dose, afirma que o governo federal deve economizar R$ 1 bilhão em relação ao contrato de fornecimento da vacina pneumocócica atual. Procurada pelo Valor, a Fiocruz não comentou as condições comerciais da nova parceria nem as do contrato vigente.
Uma das razões para a economia, segundo Rengifo, é o modelo de atuação direta da Biological E. junto a ministérios da saúde de todo o mundo e agências como a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). A farma produz vacinas pediátricas distribuídas pela OMS, como contra sarampo, rubéola, além de vacinas pentavalentes para África, América Latina e Ásia.
A Biological E., com faturamento de US$ 750 milhões, também firmou, em fevereiro do ano passado, uma parceria com a Takeda que deve ampliar a produção de vacinas contra a dengue. A expectativa é de que a Biological E. produza 50 milhões de doses anuais da Qdenga, permitindo à Takeda cumprir, até 2030, a meta de distribuição de 100 milhões de doses por ano.
Fonte: Valor Econômico


