O Banco Central decretou nesta quinta-feira (15) a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., nova denominação social de Reag Trust Distribuidora de Títulos Valores Mobiliários S.A. O ato foi assinado hoje pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, e ocorre após diversas apurações de envolvimento da instituição financeira com atividades ilícitas, incluindo fraudes no Banco Master.
A empresa primeiro apareceu no foco das apurações no âmbito da operação Carbono Oculto, que investiga o envolvimento de fundos administrados pela Reag e vinculações com o crime organizado.
O liquidante, segundo o dispositivo, será Antonio Pereira de Souza, pela APS Servicos Especializados de Apoio Administrativo Ltda. De acordo com o BC, a decretação da liquidação extrajudicial da CBSF (ex-Reag) “foi motivada por graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional”.
No relatório técnico que subsidiou a liquidação, o Valor apurou que a autoridade monetária encontrou operações atípicas e sem fundamentação econômica conduzidas pelo Master entre os anos de 2023 e 2024, com violação às normais legais e estatutárias, pelos fundos administrados pela Reag.
O BC também destaca que o quadro se agravou com a sobrevalorização de cotas desses fundos, a partir de precificação não comprovada de carteiras de ativos ilíquidos. Também foi citada atuação imprópria das áreas de compliance e auditoria interna, permitindo atuação disfuncional do administrador dos fundos envolvidos.
Além disso, é também citado todo o histórico de supostas irregularidades da Reag. Todo esse conjunto de ilícitos, justifica o BC, afeta negativamente os interesses dos mercados financeiros e de capitais, o que justificaria a sua liquidação. De acordo com o órgão, a empresa pode ter atuado como um “veículo facilitador de ilícitos”.
“O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis. Nos termos da lei, ficam indisponíveis os bens dos controladores e dos ex-administradores da instituição”, disse o BC em comunicado nesta quinta.
No âmbito das apurações envolvendo o Master, o BC também informou ao Ministério Público Federal uma série de operações fraudulentas sobre empréstimos concedidos pelo Banco Master a empresas com conexão com a Reag, conforme tem revelado o Valor nos últimos dias.
Sete das 36 empresas que tomaram R$ 11,5 bilhões em empréstimos supostamente fraudulentos para desviar recursos do Banco Master têm na sua estrutura de controle fundos que eram administrados pela corretora.
Em nota à imprensa, o BC explica que o resultado das apurações “poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes”. A instituição, segundo a autoridade monetária, representa menos de 0,001% do ativo total ajustado do sistema financeiro brasileiro.
Fonte: Valor Econômico