O avanço da inteligência artificial deve concentrar capital nos Estados Unidos, fortalecer o dólar e reduzir a liquidez no resto do mundo — um cenário que tende a deixar países emergentes, como o Brasil, para trás, na avaliação de Marcio Appel, sócio-fundador da Adam Capital. Em conversa com clientes nesta terça-feira (7), o gestor afirmou que a nova onda tecnológica exigirá volumes crescentes de investimento, criando um ambiente mais desafiador para economias periféricas. “Brasil é um lugar para gerar perdas. Lugar para gerar ganhos é nos EUA”, disse.
A tese da inteligência artificial foi rentável para investidores no primeiro semestre do ano. O S&P 500 e o Nasdaq Composite registraram 24 e 20 pregões recordes, respectivamente, no período. Para Marcio Appel, a movimentação de preço foi ‘incipiente’ perto do que pode acontecer.
O gestor participou de uma call para clientes nesta terça-feira, 7, e apontou que a IA precisará de muito capital para evoluir, o que é um risco para países que ficam na periferia da transformação tecnológica, como o Brasil.
O Brasil é um lugar para gerar perdas. Lugar onde se gera ganhos é os EUA, que está passando por uma transformação tecnológica que vai demandar muito capital
Marcio Appel, sócio fundador da Adam Capital
Amazon e diversas outras empresas que estão criando agentes de IA emitem dívida para atrair investimentos. Essa demanda por capital fortalece o dólar e, consequentemente, irá provocar uma escassez de dinheiro no resto do mundo como aconteceu na segunda metade da década de 90, descreve o gestor.
O principal fundo da gestora, o Adam Macro, teve ganhos de 14% e 17%, em abril e maio, respectivamente, o que Appel considerou ‘históricos’. A tese mira o longo prazo, e desde o início rendeu 180%, enquanto o índice de referência para aplicações de renda fixa, o CDI, gerou 150% de ganhos.
A trajetória da tese não será ‘fácil”, mas Appel tem foco no longo prazo, quando haverá ganhos de produtividade e taxas de retorno “enormes”. “É um evento único na historia da humanidade.”
Futuro do Brasil
Além de ter papel periférico na evolução da IA, Appel considera que o Brasil vai na direção contrária: tem um ganho de produtividade maior ao aumentar a participação do estado na economia.
Para ele, a tese de que o Brasil será blindado de problemas por ser rico em matéria prima “não bate com fatos históricos”.
Appel complementa: “A proteína será nossa principal matéria prima, já que o preço do petróleo vai ser estruturalmente mais baixo ao longo do tempo. Mas a Argentina vem ganhando competividade, e a partir do ano que vem começaremos a ver robôs em operação de forma mais relevante, o que tornará a produção mais barata no mundo”. Ou seja, na visão do gestor, o Brasil pode perder competitividade gradualmente como produtor de carnes.
Fonte: E-Investidor


