Por Simon White — Bloomberg
21/07/2022 05h03 Atualizado há 3 horas
O Banco Central Europeu será pressionado a manter uma postura agressiva – mesmo quando os dados se deterioram e uma recessão se instaura em toda a Europa – diante do risco crescente de saídas de capital. É um dilema mais comum para os bancos centrais de países emergentes.
Mas a Europa não pode se dar ao luxo de baixar a guarda. A saída de capital é um risco considerável quando uma moeda está seriamente comprometida por uma dependência energética aguda, como o euro está agora.
O impressionante superávit do balanço de pagamentos da Europa com o resto do mundo está diminuindo rapidamente. Durante a maior parte da década passada, a zona do euro teve o segundo maior superávit comercial do mundo, impulsionado pela Alemanha. Mas o forte aumento dos preços de energia corroeu isso a uma velocidade impressionante, com a balança comercial da região agora em déficit.
Os últimos dados da zona do euro para a conta corrente, divulgados ontem, confirmam o rápido declínio observado nos números da balança comercial. A conta corrente continua superavitária por enquanto no acumulado de 12 meses. Mas a conta de serviços e transferências está deficitária, então a conta corrente logo seguirá o mesmo rumo.
Isso já seria problema suficiente, mas a Europa também está enfrentando uma recessão. Um dos melhores indicadores de recessão na Europa é a base monetária M1. O crescimento real do M1 caiu rapidamente antes das duas últimas recessões da zona do euro. No ano passado, o M1 real entrou em colapso e agora está se contraindo em termos anuais.
Isso coloca o BCE em um beco sem saída. O superávit em conta corrente da zona do euro foi um pilar natural de apoio ao euro. Agora que esse suporte foi removido, o BCE provavelmente será forçado a aumentar juros mais do que teria feito não fosse isso, exacerbando a desaceleração. O risco de saída de capital manterá o BCE agressivo diante de dados econômicos fracos, com taxas de curto prazo tendendo para cima e balanço de pagamentos frágil.
Fonte: Valor Econômico


