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A reprecificação dos prêmios de risco no mercado local continuou a penalizar os ativos domésticos, diante da aproximação das eleições. O dólar à vista voltou a se aproximar dos R$ 5,18, enquanto a bolsa se distanciou ainda mais dos 168 mil pontos e os juros futuros avançaram. Já nos Estados Unidos, a leitura mais amena e em linha com o esperado para o índice de preços ao consumidor (CPI) foi bem-recebida pelo mercado, ao impulsionar a queda nos rendimentos de curto prazo e o avanço das bolsas americanas, em um dia de maior otimismo com a tese de inteligência artificial (IA).
Os dados de inflação americana, porém, não promoveram alterações nas apostas para uma alta de juros em setembro, que seguiram em torno de 40%.
O fortalecimento do dólar globalmente combinado ao mau humor local fez a moeda americana encerrar ontem em alta de 0,36%, a R$ 5,1793, contra o real. Ao longo da manhã, a divisa americana chegou a cair após a divulgação do CPI, mas a dinâmica não se sustentou, com a divisa retomando força de forma generalizada durante a tarde.
Para operadores, a piora no câmbio doméstico pode ter aumentado em virtude do cenário eleitoral. Com base em dados da B3Cotação de B3 sobre o mercado de derivativos, um participante do mercado afirma que o investidor estrangeiro comprou US$ 1 bilhão no pregão de segunda-feira e no de terça-feira desta semana.
Agora, a posição líquida do estrangeiro comprada (que se beneficia da valorização) em dólar contra o real está em torno de US$ 63 bilhões. Segundo o profissional, fundos locais também teriam adquirido em torno de US$ 1 bilhão na terça-feira, embora a posição líquida ainda esteja levemente vendida (que aposta na desvalorização) em dólar.
“Talvez o movimento tenha sido exagerado. Agora está na boca de todo mundo [esse trade]”, afirma o gestor. Outro profissional concorda e diz que o movimento está indo rápido demais e que alguma correção poderá ocorrer nos próximos dias. “É caro ficar vendido em dólar. Não dá para se esquecer disso.”
A saída de estrangeiros também tem afetado em cheio a bolsa local. O Ibovespa encerrou o dia em queda de 0,23%, aos 167.491 pontos, na sétima sessão consecutiva de perda. Em seis dos cinco pregões em que a B3Cotação de B3 já disponilizou os dados, investidores estrangeiros realizaram retiradas de ações listadas. Com isso, no acumulado do mês, os saques da categoria já somam R$ 7,2 bilhões.
“O que, para mim, mostra que é uma saída permanente [de estrangeiros], ou ao menos até que a eleição passe, é o dia seguinte. Bolsa e dólar parecem ter mudado de patamar e não vão voltar no curto prazo. Parece que não tem mais o vendedor de ontem [terça], mas tampouco tem um comprador a preços melhores. Essa é a sensação olhando os preços hoje [ontem]”, disse Ivo Chermont, economista-chefe da Quantitas, em postagem nas redes sociais.
O mau humor no mercado local também impactou os juros futuros, que continuaram a avançar: no fim, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2029 subiu de 14,195% a 14,25%; e a do DI de janeiro de 2031 anotou alta de 14,43% para 14,48%.
Por ora, a saída de investidores estrangeiros dos mercados locais não produziu um estresse suficiente para alterar de forma relevante as perspectivas do mercado para a taxa Selic no curto prazo. Há ainda a expectativa por outro corte de juros na decisão de setembro do Comitê de Política Monetária (Copom), que pode ser seguido por outra redução em novembro.
No mercado de opções digitais de Copom, os agentes financeiros terminaram o dia precificando 75% de chance de um corte de 0,25 ponto percentual – o que levaria a Selic a 13,75% – contra apenas 23% para manutenção do juro no mês que vem. Já para a reunião seguinte do colegiado, em novembro, os percentuais ficaram em 51% para uma estabilidade na taxa e em 34,5% para mais uma redução de 0,25 ponto percentual.
Já nos EUA, a taxa da T-note de dois anos encerrou em queda de 4,226% a 4,207%, enquanto a do título da dívida pública americana com vencimento de dez anos teve alta modesta de 4,696% para 4,701%, devido ao alívio visto no CPI.
O movimento na renda fixa americana, somado a uma leitura mais amena do CPI, deu força para as bolsas americanas, em um dia em que investidores se animaram ainda com os resultados da Super Micro Computer e da CoreWeave. No fim, o Dow Jones encerrou praticamente estável (-0,04%); S&P 500 avançou 0,26%; e o Nasdaq subiu 0,54%.
Fonte: Valor Econômico

