A AstraZeneca Plc concordou em comprar um portfólio de terapias genéticas para doenças raras da Pfizer Inc., enquanto a farmacêutica do Reino Unido olha para o futuro em suas próximas áreas de receita e crescimento.
O acordo com a Pfizer vale até US$ 1 bilhão mais royalties escalonados sobre as vendas e deve ser concluído no terceiro trimestre, informou a empresa na sexta-feira. O acordo se baseia no investimento já substancial da Astra em seu negócio de doenças raras desde a compra da Alexion por US$ 39 bilhões em 2021.
Existem mais de 7.000 doenças raras conhecidas e acredita-se que cerca de 80% delas sejam causadas por uma mutação genética. As áreas visadas com a aquisição da Pfizer são doenças genéticas no fígado, coração, músculos, sistema nervoso central e rins.
A transação com a Pfizer acelerará as ambições da empresa de crescer em terapias celulares e genéticas, disse o CEO da Astra, Pascal Soriot, em entrevista à Bloomberg TV.
“Acreditamos que a terapia celular será uma parte importante do futuro da medicina no câncer, mas também fora do câncer”, disse Soriot. “Na verdade, estamos desenvolvendo recursos em terapia genética há algum tempo.”
A empresa também divulgou vendas e lucros do segundo trimestre na sexta-feira que superaram as estimativas dos analistas.
“O acordo com a Pfizer faz sentido estratégico porque muitas doenças raras têm um importante componente genético e as terapias genéticas podem desempenhar um papel significativo no tratamento dessas condições”, disse Adam Barker, analista da Goodbody Stockbrokers UC. “Imagino que você verá a Alexion construindo um portfólio de tecnologias, pois ter mais opções significa que você pode atender a mais condições.”
A empresa também anunciou que o executivo de longa data e chefe de pesquisa biofarmacêutica, Mene Pangalos, está se aposentando após quase 14 anos na empresa. Sharon Barr, chefe de pesquisa e desenvolvimento do braço Alexion da Astra, irá sucedê-lo.
As dúvidas ainda permanecem para a Astra, mesmo depois de ter divulgado resultados semestrais com vendas e lucros superando as expectativas. Embora a empresa tenha mantido a meta para o ano inalterada, os investidores aguardam os resultados detalhados de um teste importante para seu medicamento para câncer de pulmão, o datopotamab deruxtecan, que pode superar a quimioterapia padrão como opção de tratamento.
As ações da Astra e da parceira no medicamento Daiichi Sankyo Co. caíram acentuadamente no início deste mês, após indicações iniciais que levantaram dúvidas sobre a eficácia e a segurança do medicamento.
Segundo Soriot, os resultados de alto nível divulgados de seu principal teste de câncer de pulmão são positivos e as pessoas precisam aguardar a leitura completa.
“Não tenho dúvidas de que, quando virem os resultados detalhados, ficarão encorajados com o que virem”, disse à Bloomberg TV. Este produto “terá um papel muito importante a desempenhar”.
Ele também disse a repórteres em uma ligação na sexta-feira que não houve “qualquer tipo de erro na comunicação” sobre os resultados e, quando os dados completos forem publicados, as pessoas entenderão por que a empresa os descreveu como estatisticamente positivos em vez de “clinicamente significativos”.
Soriot disse que a empresa está conversando com a Food and Drug Administration (agência de vigilância sanitária dos EUA) sobre a apresentação de seus resultados e que “a própria FDA vê uma perspectiva positiva para este produto”. A empresa se recusou a comentar quando ou em qual congresso médico os resultados serão publicados.
A reação adversa das ações foi exagerada nos resultados do câncer de pulmão, mas levará tempo para reconstruir a crença no potencial de sucesso da droga, de acordo com Peter Welford, analista da Jefferies.
Soriot também foi pressionado sobre a China depois que uma reportagem no mês passado disse que a empresa estava pensando em desmembrar seus negócios lá e listá-los separadamente.
Ele disse que a empresa considera muitas coisas, a maioria das quais nunca é posta em prática. Soriot disse que a empresa não viu nenhum impacto de tensões políticas em seus negócios e está buscando parcerias com empresas chinesas no desenvolvimento de medicamentos.
A transação com a Pfizer acelerará as ambições da empresa de crescer em terapias celulares e genéticas.
Fonte: Valor Econômico