A Apollo está limitando os resgates de investidores em seu principal fundo de crédito privado voltado ao varejo depois que os pedidos de retirada chegaram a 17% no segundo trimestre.
A gigante dos mercados privados informou que limitará os resgates a 5% das cotas do veículo Apollo Debt Solutions, após investidores tentarem retirar cerca de US$ 2,4 bilhões, ou 16,8%, durante o período de três meses.
Por que a Apollo limitou os resgates
“Considerando o conjunto de fatores, esperamos que os fluxos líquidos de saída do ADS sejam de aproximadamente US$ 400 milhões no segundo trimestre de 2026 e no acumulado do ano, representando 3% do valor líquido dos ativos (NAV)”, afirmou a Apollo em um documento enviado à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC), publicado na segunda-feira (22).
A empresa destacou uma “divisão regional significativa” nos pedidos de retirada do segundo trimestre: clientes americanos queriam sacar cerca de 4,3% de seus investimentos, enquanto os resgates de investidores estrangeiros chegaram a 12,5%.
A decisão ocorre depois que o fundo de US$ 26 bilhões — uma empresa de desenvolvimento de negócios não negociada em bolsa, que oferece a investidores ricos do varejo exposição a ativos de crédito privado com maior retorno — informou que os pedidos de retirada no trimestre anterior haviam superado 11%.
Por que os fundos de crédito privado estão sob pressão
O aumento nos pedidos de resgate volta a destacar as pressões de liquidez que atingem os mercados privados globais neste ano.
Os chamados veículos de dívida privada “semi-líquidos” vêm enfrentando uma onda de pedidos de retirada, à medida que investidores tentam sacar recursos em meio a preocupações crescentes sobre a qualidade dos ativos e enquanto os fundos tentam equilibrar a natureza menos líquida dos ativos privados com o canal de distribuição voltado ao investidor de varejo.
No início deste mês, a Blackstone informou que havia restringido os resgates de investidores em seu principal fundo de crédito privado de US$ 79 bilhões, o Blackstone Private Credit Fund (BCRED), para 5%, após os pedidos de retirada atingirem 10% no segundo trimestre.
Do outro lado do Atlântico, a suíça Partners Group alertou recentemente que poderia limitar resgates em alguns de seus veículos de ativos privados após um aumento nos pedidos de saída.
“Estamos descobrindo em tempo real que não é possível oferecer liquidez quase diária em ativos realmente ilíquidos sem, em algum momento, testar a estrutura — e 2026 é o ano em que esses modelos serão reformulados”, afirmou Sunaina Sinha Haldea, chefe global de consultoria em capital privado da Raymond James.
“A pressão por resgates no crédito privado aberto não é apenas uma questão de crédito, mas também uma questão estrutural”, disse Haldea à CNBC por e-mail.
Ela alertou que acabou a fase do “empacote para o varejo e o dinheiro virá” nos mercados de crédito privado. Segundo ela, fundos mais fracos desse segmento podem enfrentar restrições de resgate, saída de investidores e perda de espaço nas plataformas de distribuição, enquanto a captação se concentra em gestores de mercados privados com forte governança, controles de liquidez e educação dos clientes.
Danielle Poli, diretora-gerente e co-gestora de portfólio da Oaktree Capital, afirmou que o capital institucional continua reafirmando seu compromisso com o crédito privado, em contraste com a insegurança observada entre investidores de varejo.
Poli disse que investidores institucionais estão considerando aumentar suas alocações no setor para aproveitar a menor disponibilidade de capital no mercado, acrescentando que o componente de varejo representa menos de um quarto do mercado de crédito privado.
“Esses são instrumentos privados de longo prazo que oferecem um rendimento atrativo se você os mantiver. Esse é o equilíbrio da operação”, disse ela ao programa “Squawk Box Europe”, da CNBC, nesta terça-feira.
Poli afirmou esperar que o mercado passe por um processo de diferenciação entre gestores de ativos privados, baseado na disciplina de concessão de crédito, nos termos dos empréstimos e na forma como cada um avalia o impacto de um ambiente de juros diferente. “Isso é muito saudável e natural”, acrescentou.
Fonte: Times Brasil | CNBC


