Tecnologia criada na UFMG oferece orientações para pacientes após a cirurgia de retirada total da próstata em decorrência de câncer
PorPâmela Dias
— De “O Globo”
22/01/2025 05h01 Atualizado há 4 horas
A resistência entre os homens na busca por tratamento médico levou um grupo de pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) a desenvolver um aplicativo para orientar pacientes com incontinência urinária, que pode surgir após a cirurgia de retirada total da próstata em decorrência do câncer. O Iuprost dá orientações sobre exercícios para a musculatura pélvica, dicas para melhorar hábitos de vida e acesso a depoimentos de colegas que enfrentaram a mesma situação.
Também com informações de como lidar com a disfunção sexual, o app oferece uma abordagem discreta e acessível para auxiliar na reabilitação. O Iuprost ajuda a desmistificar o tema e promove o autocuidado. Apesar de não substituir o acompanhamento profissional, a plataforma, segundo a professora da Escola de Enfermagem da UFMG Luciana da Mata, melhora a adesão às recomendações.
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“É uma poderosa ferramenta para levar informação. O Brasil ainda carece de políticas que incorporem essa condição nos serviços de saúde pública. Dessa forma, a tecnologia desempenha um papel essencial, permitindo que o aplicativo chegue até esses pacientes de forma gratuita, quebrando barreiras de acesso.”
Aplicativo chega a pacientes de forma gratuita, quebrando barreiras de acesso”
— Luciana da Mata
O câncer de próstata é o segundo tumor mais frequente entre os homens no Brasil, conforme dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca).
Este tipo de câncer é responsável por 28,6% das mortes na população masculina que desenvolve neoplasias malignas. Em 2023 (dados mais recente disponível), cerca de 17 mil mortes foram registradas em decorrência dessa doença, o que resulta em uma média de 47 mortes por dia.
Entre os recursos do Iuprost, estão elementos de gamificação, que tornam o uso mais interativo. O app adota os princípios de instrução digital em saúde, com informações sobre a condição do usuário e as etapas do tratamento. Outro diferencial é a incorporação da inteligência artificial, que está em fase de integração na plataforma e permitirá individualizar ainda mais a experiência do paciente. Hoje, há mais de 1,3 mil usuários ativos, em países como Brasil, Venezuela, Angola e Uruguai, e já foram realizados mais de 200 mil exercícios.
“Isso representa muitas vidas melhoradas, com mais saúde e autoestima”, conclui a professora da UFMG.
O desafio de acesso a informações em diferentes áreas, incluindo saúde pública, foi o que inspirou o 30º Prêmio Jovem Cientista. Com o tema Conectividade e Inclusão Digital, 799 projetos foram inscritos nesta edição.
Nas cinco categorias contempladas, que vão do ensino médio ao doutorado, os participantes desenvolvem projetos voltados à acessibilidade tecnológica. Eles podem tratar desde a construção de ferramentas para tratar de questões de saúde, educação e sustentabilidade à necessidade de uma discussão mais filosófica sobre a ética em tempos de realidade virtual.
O Prêmio Jovem Cientista é uma iniciativa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) em parceria com a Fundação Roberto Marinho, conta com patrocínio da Shell e apoio de mídia da Editora Globo e do Canal Futura.