Laboratórios que produzem medicamentos à base de cannabis preveem investimentos após aprovação da Anvisa para as prescrições das substancias para pets.
A expectativa de agentes do setor é que, agora, as grandes redes de pet shops passem a comercializar as medicações.

A medida engloba substâncias receitadas por médicos veterinários legalmente habilitados pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária e só vale para produtos registrados no Brasil, o que, inicialmente, restringe o mercado para laboratórios que não tenham registro da substância no país.
A exemplo dos medicamentos controlados para humanos, os remédios à base de cannabis para pets deverão ter receitas retidas pelos pet shops ou pelas farmácias.
Atualmente, os tutores já conseguem importar os produtos ou comprar de associações que trazem de fora medicamentos com cannabis na fórmula.
No Brasil não existe a produção de medicamentos específicos com cannabis para fins veterinários, mas os profissionais poderão prescrever os produtos já autorizados pela Anvisa para uso em humanos.
Neste caso, o uso é conhecido como off label, quando o médico prescreve um medicamento que pode produzir efeitos que não constam na bula, mas que podem ajudar pacientes com diferentes problemas.
Bruna Rocha, diretora executiva da Brcann (Associação Brasileira da Indústria de Canabinoides), avalia que a medida da Anvisa é uma resposta aos pleitos da sociedade e das entidades representativas do setor de medicina veterinária.
Para ela, além de ampliar a segurança jurídica, a alteração servirá como um catalisador para investimentos.
“Esse binômio é comum para todo e qualquer setor que está em busca de estruturação e confiabilidade —e não seria diferente para cannabis. Então, à medida que avançamos nessa direção, tal como observado hoje, podemos esperar um fluxo mais ampliado de investimentos no setor.
Atualmente, o mercado da cannabis medicinal movimento quase R$ 1 bilhão no país.
Com a liberação da Anvisa, os medicamentos deverão ser registrados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária. Na pasta, os fabricantes precisam atestar a eficácia do produto antes de obterem o registro.
“A liberação mostra que a Anvisa está se esforçando para modernizar a legislação, que já é muito avançada para humanos e uma das mais avançadas no mundo. É uma tentativa de inovar e liberar de forma responsável, permitindo aquilo que não precisa ser proibido”, afirma Martim Mattos, CEO da GreenVet, empresa que atua no setor.
Com Diego Felix
Fonte: Folha de São Paulo