3 Jan 2024
Principal programa desenvolvido pela União Europeia para reintegrar os jovens aos estudos e ao trabalho, o Youth Guarantee tem servido de inspiração para países que estão fora do bloco. Na época de sua criação, em 2013, essa parcela da população enfrentava altas taxas de desemprego e de desocupação, provocadas pela crise econômica que havia atingido o continente nos anos anteriores.
“O objetivo era ter um papel na redução da taxa de nem-nem”, diz Eszter Sandor, gerente sênior de pesquisas na Eurofound, agência da União Europeia para a melhoria das condições de vida e de trabalho.
Um pouco antes do início da pandemia, os resultados do Youth Guarantee indicavam uma redução de 1,7 milhão de jovens nem-nem de 15 a 29 anos, segundo dados da Comissão Europeia por Emprego, Questões Sociais e Inclusão.
Em uma década, o projeto ajudou 24 milhões de jovens europeus a obter oportunidades de estágio, trainees e empregos ou a voltar a estudar. “Abordar o subemprego, em que os jovens não atingem seu pleno potencial, é tão importante quanto lidar com o desemprego”, afirma.
A seguir, os principais trechos da entrevista ao Estadão/Broadcast.
Qual foi o trabalho da Eurofound para recuperar os jovens para o mercado de trabalho ou o estudo?
O conceito de nem-nem tem sido uma ferramenta importante para as instituições europeias, especialmente durante a recessão que se seguiu à crise financeira de 20072008. Durante esse período, os jovens europeus foram os mais atingidos pela perda de emprego, levando muitas pessoas a afirmarem que isso resultou em uma geração perdida. A taxa de nem-nem era uma ferramenta para monitorar a recuperação dessa crise e também entrou na lista de indicadores que medem o progresso sob o Pilar Europeu dos Direitos Sociais. O Eurofound contribuiu estimando os custos econômicos e sociais do aumento dos índices e destacou as razões pelas quais os jovens se encontravam nessa situação. Naquela época, uma grande proporção dos nem-nem, 22%, estava desempregada por mais de um ano. Atualmente, estamos estudando como foi para eles se tornarem adultos no mundo pós-pandemia, como precisaram revisar seus planos para trabalho, moradia e família, e quais obstáculos ainda enfrentam.
Existem formas de garantir que os empregos destinados aos jovens sejam formais e proporcionem crescimento na carreira?
Há vários exemplos na Europa para ajudar os jovens a ingressarem no trabalho formal. O primeiro passo é medir o tamanho da economia informal. Criar formas de registrar empregos temporários de curto prazo tem ajudado países como Eslovênia e Alemanha. Os empregadores também podem ser obrigados a registrar pelo menos informações básicas sobre seus funcionários, como os dias de trabalho e o tipo de função realizada. O trabalho digital desempenha um papel importante na formalização de atividades que, de outra forma, poderiam ser informais. No entanto, muitas vezes, essas pessoas não têm acesso a esquemas de seguridade social. Abordar o subemprego, em que os jovens não atingem seu pleno potencial, é tão importante quanto lidar com o desemprego.
Qual a importância de reintegrar esses jovens na educação e no emprego?
Os jovens em situação de nem-nem, em média, têm um maior risco de pobreza, exclusão social e piora da saúde mental. Para alguns, isso não é uma escolha: eles não conseguem participar do mercado de trabalho porque não podem pagar pelo cuidado de uma criança ou de algum outro integrante da família. Os mais vulneráveis são os jovens que pararam de procurar trabalho porque acreditam que não há oportunidades de emprego para eles, que estão em maior risco de exclusão social e de desesperança. •
Fonte: O Estado de S. Paulo


