Principal queixa entre os pacientes é a fadiga, relatada por 35,6% deles
12/05/2022 05h01 Atualizado há um dia
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Metade das pessoas diagnosticadas com covid-19 apresenta sequelas que podem perdurar por mais de um ano. Esta é uma das constatações de estudo da Fiocruz Minas que avaliou os efeitos da doença ao longo do tempo.
A pesquisa acompanhou, por 14 meses, 646 pacientes que tiveram a infecção e verificou que 50,2% tiveram sintomas pós-infecção, caracterizando o que a Organização Mundial de Saúde (OMS) classifica como covid longa.
O estudo contabilizou, ao todo, 23 sintomas após o término da infecção aguda. A principal queixa entre os pacientes é a fadiga, relatada por 35,6% deles. Entre as sequelas mais mencionadas, estão tosse persistente (34%), dificuldade para respirar (26,5%), perda do olfato ou paladar (20,1%) e dores de cabeça frequentes (17,3%).
Segundo a pesquisadora Rafaella Fortini, que coordena o estudo, todos os sintomas relatados iniciaram após a infecção aguda e muitos deles persistiram durante os 14 meses, com algumas exceções, como trombose, da qual – por ter sido devidamente tratada, por meio intervenções médicas adequadas – os pacientes se recuperaram em um período de cinco meses.
“Temos casos de pessoas que continuam sendo monitoradas, pois os sintomas permaneceram para além dos 14 meses. Constatamos ainda que a presença de sete comorbidades, entre elas hipertensão arterial crônica, diabetes, cardiopatias, câncer e tabagismo ou alcoolismo, levou à infecção aguda mais grave e aumentou a chance de ocorrência de sequelas”, explica a coordenadora.
Os resultados do estudo, publicado na revista “Transactions of The Royal Society of Tropical Medicine and Hygiene”, mostraram ainda que os sintomas pós-infecção se manifestam nas três formas da doença: grave, moderada e leve. Na forma grave, de um total de 260 pacientes, 86, ou seja, 33,1%, tiveram sintomas duradouros.
Entre os 57 diagnosticados com a forma moderada da doença, 43, isto é, 75,4%, manifestaram sequelas e, dos 329 pacientes com a forma leve, 198 (59,3%) apresentaram sintomas meses após o término da infecção aguda.
“Tais resultados mostram a importância de entendermos bem essas sequelas, uma vez que estão ocorrendo até mesmo em pessoas que, durante a fase aguda da infecção, estiveram assintomáticas”, ressalta a pesquisadora.
Segundo Rafaella, as informações obtidas a partir do estudo permitem uma melhor compreensão sobre os efeitos a longo prazo da covid-19. “Trata-se de doença complexa, que pode atingir vários órgãos, e, dessa forma, ter informações é fundamental para que possa ser tratada adequadamente. Ainda há muito o que se conhecer: por que acontece? De que forma ela age no organismo? As respostas para esses questionamentos vão nos permitir entender a fisiopatologia da covid longa, nos dando condições de resolver essas sequelas de maneira adequada.”
A pesquisa acompanhou pacientes atendidos no pronto-socorro do Hospital da Baleia e Hospital Metropolitano Dr. Célio de Castro, ambos referência para covid-19 em Belo Horizonte. Os pacientes procuraram atendimento entre abril de 2020 e março de 2021.
A idade dos participantes variou entre 18 e 91 anos; sendo que 53,9% eram do sexo feminino. Dos 646 pacientes acompanhados, apenas cinco haviam sido vacinados e, desses, três tiveram a covid longa.
Fonte: Valor Econômico