Pensamento do dia
O sentimento de risco arrefeceu na terça-feira em meio à incerteza sobre o andamento das negociações de paz entre EUA e Irã, enquanto os combates entre Rússia e Ucrânia prosseguiram. Os contratos futuros [contratos de compra e venda com liquidação em data futura] sobre o índice S&P 500 apontavam queda de 0,1% antes da abertura do mercado americano.
Embora fundamentos econômicos e de resultados corporativos resilientes tenham impulsionado as ações globais a máximas históricas, a persistente incerteza geopolítica continua sendo uma preocupação central dos investidores e fonte de volatilidade nos mercados. De fato, conflitos geopolíticos de grande escala são identificados pelos family offices globais como a principal preocupação tanto no horizonte de curto quanto no de longo prazo.
De acordo com o UBS Global Family Office Report 2026 — que reúne percepções de 307 family offices em mais de 30 mercados, com patrimônio líquido médio de US$ 2,7 bilhões —, o aumento dos níveis de endividamento global e o risco de recessão global também estão entre as principais preocupações para os próximos cinco anos. Em conjunto, essas inquietações apontam para uma preparação não apenas para a volatilidade de curto prazo, mas para um período prolongado de riscos elevados e interconectados.
De fato, o relatório revela uma tendência de construção de resiliência para um leque mais amplo de resultados possíveis, na medida em que a preocupação com a incerteza vem acompanhada de esforços para reduzir a concentração das carteiras. Em nossa avaliação, isso reforça o papel da diversificação como instrumento de gestão de risco.
Uma parcela crescente de family offices planeja alterar suas alocações estratégicas de ativos. A strategic asset allocation [alocação estratégica de ativos: definição da composição de longo prazo da carteira entre classes de ativos] tem sido tradicionalmente um dos elementos mais estáveis na construção de carteiras de family offices, com mudanças ocorrendo apenas de forma gradual ao longo do tempo. Diante do atual cenário de incerteza macroeconômica, porém, os family offices estão revisando seu posicionamento de longo prazo. Segundo o relatório, 60% dos family offices indicam que planejam alterações em sua alocação de ativos nos próximos 12 meses, número significativamente superior aos 35% registrados no ano anterior. A pesquisa sugere que as mudanças planejadas envolvem, em geral, uma leve inclinação para ações de mercados emergentes, acompanhada de maiores alocações em ouro e em determinados ativos alternativos, como infraestrutura.
Reposicionamentos geográficos são utilizados para reduzir o risco de concentração. A América do Norte continua representando a maior fatia das carteiras globais de family offices e respondeu por 53% das alocações em 2025. Embora essa posição central não tenha sido abandonada, muitos family offices indicam que planejam diversificar sua exposição regional nos próximos anos. Em particular, cresce o interesse pela Ásia-Pacífico, incluindo a Grande China, e pela Europa Ocidental, como destinos de investimentos crescentes.
A exposição ao dólar americano está sendo reavaliada em meio a preocupações com o endividamento e a influência geopolítica. Enquanto a diversificação regional endereça uma dimensão da concentração, a diversificação cambial oferece outro caminho para gerenciar o risco. De fato, quase 50% dos family offices participantes da pesquisa se descrevem como superexpostos ao dólar americano, e cerca de 30% afirmaram já ter reduzido ou pretender reduzir a exposição a ativos denominados em dólar como parte de sua gestão de risco cambial. Aproximadamente um quinto dos family offices mantém ou está considerando manter caixa e ativos quase-líquidos [near-cash: ativos de altíssima liquidez e baixo risco, como títulos de curto prazo] em múltiplas moedas, enquanto estratégias de hedge cambial — como contratos a termo [forwards], opções e swaps — também são utilizadas em paralelo para gerenciar a exposição cambial.
Assim, embora mantenhamos uma perspectiva positiva para ativos de risco como as ações globais, o relatório reforça como a diversificação entre classes de ativos, regiões e moedas permanece fundamental para navegar em meio à persistente incerteza geopolítica e econômica.
Fonte: UBS
Traduzido via Claude

