As ações globais continuaram em queda à medida que o conflito no Oriente Médio entra em seu sétimo dia, com novos ataques EUA-Israel em várias partes do Irã e ataques iranianos à infraestrutura energética da região.
O Ministério do Interior do Bahrein informou um ataque com míssil à principal refinaria da Bapco no país, o que resultou em “danos materiais limitados”, e a Reuters informou que drones aterrissaram no campo petrolífero de Rumaila, no Iraque. A Reuters também informou que um navio-tanque de petróleo bruto com bandeira das Bahamas, ancorado em águas iraquianas, foi alvo de um barco iraniano controlado remotamente e carregado com explosivos.
Autoridades iranianas afirmaram durante a noite que estariam preparadas para enfrentar uma potencial invasão terrestre dos EUA. O presidente Trump negou que os EUA realizariam tal operação, mas disse a repórteres que teria um papel na escolha do próximo líder do Irã. Separadamente, o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, sugeriu que os ataques dos EUA ao Irã em breve se intensificariam, mas que não havia “expansão” nos objetivos dos EUA.
Estão em andamento esforços para reiniciar o comércio marítimo, mas centenas de navios permanecem retidos: o presidente Trump anunciou planos de seguro contra risco político e garantias para apoiar o comércio marítimo pelo Golfo. Separadamente, a Reuters informou que o governo da China buscou passagem segura junto ao Irã para cargas de petróleo bruto e GNL [gás natural liquefeito] com destino ao país através do Estreito de Ormuz.
No pregão de quinta-feira, o S&P 500 caiu 0,6% e o Nasdaq, concentrado em tecnologia, recuou 0,3%. As ações de energia, tecnologia da informação dos EUA e consumo discricionário encerraram em alta, enquanto industriais, materiais e consumo básico lideraram as quedas. Os preços do petróleo subiram na quinta-feira, com o petróleo bruto dos EUA avançando mais de 8%, para acima de USD 80 por barril, e o Brent subindo 5%, para fechar acima de USD 85 por barril. No momento da redação, o Brent está sendo negociado a USD 86,9/bbl e os futuros do S&P 500 caem 0,3%.
Os preços do gás natural nos EUA subiram cerca de 5% desde domingo, enquanto os preços do gás na Europa avançaram aproximadamente 60%. Os preços da gasolina no varejo nos EUA continuaram subindo, com a média nacional agora em USD 3,25 por galão — alta de mais de 30 centavos desde domingo.
Os temores de retomada da inflação empurraram os rendimentos dos Treasuries para cima: o rendimento do título de 10 anos subiu acima de 4,1% e o do título de 30 anos atingiu 4,75%. As taxas de hipoteca também avançaram, ilustrando o impacto mais amplo do conflito.
O que esperamos daqui para frente?
Esperamos que a volatilidade permaneça elevada no curto prazo à medida que o conflito continue a perturbar os mercados e os fluxos de energia. Nosso cenário-base é que o conflito será relativamente curto, dada a rápida degradação das capacidades militares iranianas e os incentivos políticos dos EUA para evitar um período prolongado de preços mais altos de energia antes das eleições de meio de mandato.
O fechamento efetivo do Estreito de Ormuz levou à interrupção da produção de petróleo, e a produção será cada vez mais cortada à medida que a capacidade de armazenamento se esgotar. O Catar, segundo maior exportador de GNL do mundo, interrompeu a produção devido tanto ao fechamento quanto aos ataques a instalações energéticas. Essas interrupções de oferta representam um movimento em direção ao nosso cenário de risco, mas, no momento, com apenas sete dias de conflito, elas não atendem aos nossos critérios para uma interrupção sustentada.
Não vemos os níveis atuais dos preços do petróleo como um equilíbrio estável. Se as interrupções no transporte persistirem ou a infraestrutura sofrer mais danos, os preços poderão subir ainda mais, potencialmente superando USD 90/bbl. Mas, em nossa visão, os preços precisariam permanecer elevados por vários meses antes de afetarem materialmente o crescimento ou a inflação. Em contrapartida, se as hostilidades cessarem, é provável que os preços do petróleo se moderem, com o Brent eventualmente retornando à faixa de USD 60-70/bbl.
Historicamente, os mercados acionários tendem a se recuperar de choques geopolíticos quando fica claro que a interrupção é temporária e que a infraestrutura crítica permanece intacta. No entanto, uma ressalva importante a essa mensagem otimista é que as ações tendem a sofrer quando há uma interrupção prolongada no fornecimento de energia, que foi o que aconteceu durante a Guerra do Yom Kippur, em 1973 (e o subsequente embargo árabe do petróleo), e na invasão russa da Ucrânia, em 2022.
Como investimos?
Acreditamos que uma das formas mais eficazes de lidar com um ambiente geopolítico mais polarizado — que cria uma faixa mais ampla de cenários de risco potenciais — é aumentar a diversificação.
Exposição adequada a renda fixa de qualidade e a alternativos, como hedge funds, pode ajudar a reduzir a volatilidade da carteira e limitar o impacto de choques. Os investidores devem, evidentemente, avaliar sua capacidade e disposição para administrar os riscos relacionados a investimentos alternativos.
Vemos espaço para nova alta das commodities amplas em 2026, impulsionada principalmente por nossa perspectiva positiva para metais. A natureza acelerada dos acontecimentos no Oriente Médio aumenta, em nossa visão, a atratividade de estratégias ativamente geridas em commodities, diante do aumento da volatilidade intracommodity.
Também acreditamos que uma alocação modesta em ouro, de até uma porcentagem de um dígito médio dos ativos totais, pode reforçar a diversificação e oferecer proteção contra riscos geopolíticos. Embora a situação no Oriente Médio permaneça imprevisível — e uma retomada das negociações de paz possa levar a uma queda temporária nos preços —, acreditamos que as condições macroeconômicas favorecem a possibilidade de o ouro atingir USD 6.200/oz neste ano. Os preços do ouro poderiam receber suporte ainda maior se preços elevados do petróleo de forma sustentada resultarem em perspectivas mais fracas de crescimento global e/ou estagflação.
Fonte: UBS
