A mediana das instituições ouvidas pelo Valor Data apontava para um desemprego de 5,7% no trimestre. O intervalo de projeções vai de 5,5% a 5,8%.
Como mexe com meu bolso?
Uma taxa de desemprego em níveis levemente mais altos do que o anterior traz consigo um óbvio lado negativo: menoss pessoas trabalham e têm renda. Por outro lado, embora pareça contraditório, um mercado de trabalho um pouco menos aquecido traz certo alívio para o Banco Central, porque ele mostra que os risco de pressão inflacionária estão menores.
Quanto mais forte está o mercado de trabalho, mais inflação pode surgir. E nesse cenário, os juros tendem a permanecer elevados, já que a Selic, taxa básica de juros do Brasil, funciona como ferramenta principal do Banco Central para controlar a alta dos preços.
Quando há mais inflação, a autoridade monetária mantém os juros em patamares mais elevados para tornar o crédito mais caro. Como consequência, empréstimos e financiamentos, tanto para consumidores quanto para empresas, ficam mais custosos, o que reduz o consumo, diminui a quantidade de dinheiro circulando e favorece a queda dos preços. Dessa forma, a inflação retorna ao controle.
…uma guerra no meio do caminho
Atualmente há outro agravante no radar do BC: a guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã. Além das óbvias consequências humanitárias desastrosas que um conflito entre países traz, ela também pode trazer mais inflação por conta da escalada do petróleo.
Isso porque o Irã é um dos maiores produtores da commodity do mundo e controla o estreito de Ormuz, um dos principais pontos de distribuição do produto, que está fechado para qualquer tipo de embarcação. O petróleo é base para combustíveis e para o transporte de praticamente todos os produtos. Quando o barril sobe, empresas pagam mais caro por gasolina, diesel e energia, o que encarece a produção e a distribuição de muitos itens, desde alimentos, roupas e outros bens.
E para manter suas margens, essas empresas repassam esses custos ao consumidor final. Como o petróleo também influencia o preço de plásticos, fertilizantes e diversos insumos industriais, o efeito se espalha por toda a economia, pressionando os preços em geral e aumentando a inflação.
Dados do trimestre
A população desocupada foi de 6,2 milhões e registrou aumento na comparação com o trimestre de setembro a novembro de 2025, quando era de 5,6 milhões). No confronto com igual trimestre do ano anterior, houve queda de 14,8% (menos 1,1 milhão de pessoas).
A população ocupada é de 102,1 milhões e registrou queda de 0,8% no trimestre (menos 874 mil pessoas) e aumento de 1,5% no ano (mais 1,5 milhão).
O nível da ocupação, que mede o percentual de pessoas ocupadas na população em idade de trabalhar, foi de 58,4%, com queda de 0,6 no trimestre e alta de 0,4 ponto percentual no ano.
A taxa composta de subutilização chegou a 14,1% e cresceu frente ao trimestre anterior (quando foi de 13,5%) e teve queda de 1,6 ponto percentual no ano (15,7%).
A população subutilizada é de 16,1 milhões e cresceu 4,4% no trimestre (mais 675 mil pessoas) e recuou 10,5% no ano (menos 1,9 milhão de pessoas).
A população subocupada por insuficiência de horas é de 4,4 milhões e ficou estável nas duas comparações.
A população fora da força de trabalho ficou em 66,6 milhões e cresceu 0,9% no trimestre (mais 608 mil) e 1,4% frente ao mesmo trimestre do ano anterior (mais 942 mil pessoas).
Dados por setor
O número de empregados no setor privado com carteira assinada (com exceção dos trabalhadores domésticos) foi de 39,2 milhões. Houve estabilidade no trimestre e no ano.
O número de empregados sem carteira no setor privado é de 13,3 milhões e mostrou redução de 342 mil pessoas no trimestre e estabilidade no ano.
O número de trabalhadores por conta própria chegou a 26,1 milhões e ficou estável no trimestre e aumentou 3,2% no ano.
Já o número de trabalhadores domésticos ficou em 5,5 milhões e também mostrou estabilidade no trimestre e no ano.
A taxa de informalidade foi de 37,5% da população ocupada, o equivalente a 38,3 milhões de trabalhadores informais, contra 37,7% no trimestre encerrado em novembro e 38,1% no trimestre de dezembro de 2024 a janeiro de 2025.
Renda
O rendimento real habitual de todos os trabalhos foi de R$ 3.679 e cresceu 2,0% no trimestre e 5,2% no ano.
A massa de rendimento real habitual atingiu R$ 371,1 bilhões e ficou estável no trimestre e cresceu 6,9% (mais R$ 24,1 bilhões) no ano.
Fonte: Valor Investe
