Por Valor — São Paulo
09/02/2023 14h03 Atualizado há 20 horas
A Rússia está tentando romper as defesas ucranianas pelo leste do país e avançar para o oeste, em meio a uma escalada de ataques à região, disse nesta quinta-feira (9) o governador de Luhansk, Serhiy Haidai, à TV da Ucrânia. As batalhas mais intensas ocorrem perto da cidade de Kreminna, segundo ele, e sugerem que os planos russos de uma ofensiva maciça esteja em curso.
“Esses ataques têm sido praticamente diários nas últimas semanas, com pequenos grupos [de soldados russos] tentando avançar, às vezes com o apoio de blindados pesados – veículos de combate de infantaria e tanques – e às vezes não”, disse Haidai, em entrevista citada pelo jornal britânico “The Guardian”. “Os disparos são contínuos, em meio a florestas cobertas de neve”.
Segundo Haidai, a resistência ucraniana tem conseguido conter os avanços. “Até agora, não tiveram sucesso. Nossos defensores conseguiram segurá-los completamente ”, disse ele.
Primeiro aniversário da invasão russa
Os governos ocidentais acreditam que a Rússia esteja planejando um grande ataque à Ucrânia, possivelmente já na próxima semana, antes do primeiro aniversário da invasão russa, em 24 de fevereiro. Acredita-se que o principal objetivo seja capturar a região de Donbass, incluindo Luhansk, que a Ucrânia controla parcialmente.
Fontes do governo ucraniano dizem que um cenário desse tipo implicaria ataques com mísseis a grandes cidades, incluindo Kiev, e uma tentativa de isolar o leste do país bombardeando pontes e avançando em amplo arco do norte e do sul.
Analistas militares estão céticos de que a Rússia tenha unidades de infantaria suficientes para avançar rapidamente em território ucraniano. Eles reconhecem, no entanto, que, em algumas seções da fronteira ucraniana-russa, as defesas da Ucrânia são frágeis, com a maior parte das forças localizadas na província oriental de Donetsk, onde os combates ocorrem ao redor da cidade de Bakhmut.
Há sinais crescentes de que, mesmo com a estratégia de batalha mais ampla da Rússia desconhecida, uma ofensiva substancial no leste já começou.
As forças russas, que se entrincheiraram e trouxeram reforços depois que as tropas ucranianas retomaram quase toda a província de Kharkiv e invadiram Luhansk no outono passado, agora avançam ao longo de uma ampla frente a oeste das cidades de Svatove e Kreminna.
Contraofensiva ucraniana
Perfurar as linhas ucranianas levaria as forças russas um passo mais perto da cidade muito maior de Kramatorsk, um importante centro militar ucraniano. Haidai disse que a Ucrânia precisa de “equipamento pesado e munição de artilharia, então não só seremos capazes de manter a defesa, mas também fazer uma boa operação de contraofensiva”.
Svatove e Kreminna – que ficam a cerca de 60 milhas (100 km) a noroeste da capital regional, Luhansk – foram ocupadas por Moscou na primavera passada. Antes da contraofensiva ucraniana no ano passado, a Rússia controlava a área de Luhansk, parcialmente capturada em 2014, com exceção de um punhado de aldeias.
O Institute for the Study of War (Instituto para o Estudo da Guerra), de Washington, confirmou um “aumento acentuado” nas operações na área na semana passada em seu último relatório. O centro de estados estima que a Rússia obteve ganhos marginais ao longo da fronteira entre as províncias de Kharkiv e Luhansk, inclusive na vila de Dvorichne. A ofensiva provavelmente ainda não “atingiu seu ritmo total”, disse.
“O comprometimento de elementos significativos de pelo menos três grandes divisões russas para operações ofensivas neste setor indica que a ofensiva russa começou, mesmo que as forças ucranianas estejam impedindo que as forças russas obtenham ganhos significativos”, disse o relatório do ISW.
Anton Gerashchenko, que assessora o Ministério do Interior em Kyiv e dirige um popular canal de mídia social no Telegram, também sugeriu que a ofensiva russa havia começado. “A Rússia lança quantidades colossais de armas e pessoas para atacar a Ucrânia e já há algum tempo”, postou.
Fonte: Valor Econômico

