19 Apr 2023
Em março, autoridades americanas e da União Europeia trocaram informações sobre milhões de dólares em tecnologia proibida que estava entrando em território russo. Auditores notaram um aumento nos chips e outros componentes vendidos para a Rússia através de outros países.
Ao todo, são oito categorias sensíveis de dispositivos cruciais para o desenvolvimento de armas, entre eles mísseis de cruzeiro russos. Agora, americanos e europeus travam uma guerra nos bastidores para manter os chips longe dos russos.
CERCO. Mas a tarefa é árdua. Embora a capacidade da Rússia de fabricar armas tenha diminuído por causa das sanções, o país encontrou uma rota tortuosa para ter acesso a muitos componentes eletrônicos.
Os americanos dizem que as sanções aumentaram o custo para Moscou adquirir novas peças. “Fomos eficazes em impedir a Rússia de reconstituir uma força militar”, disse Alan Estevez, que supervisiona as de exportação dos EUA. “Reconhecemos que este é um trabalho árduo. Eles estão se adaptando. E estamos nos adaptando às adaptações deles.”
Não há dúvida de que as restrições tornaram mais difícil para a Rússia obter tecnologia militar. As vendas diretas de chips caíram para zero. Autoridades dos EUA dizem que Moscou já esgotou grande parte de seu suprimento de armas de precisão. Mas dados mostram que outros países apareceram para fornecer à Rússia parte do que ela precisa.
Depois de cair após a invasão ucraniana, a entrada de chips na Rússia voltou a subir, principalmente vindos da China e de Hong Kong. Entre outubro e janeiro, as importações foram 50% maiores do que antes da guerra, segundo o centro de estudos Silverado Policy Accelerator. “É uma cadeia de suprimentos grande e complexa e não necessariamente transparente”, disse Sarah Stewart, executiva do Silverado.
Reprimir o comércio ilícito é difícil. As empresas enviaram 1,15 trilhão de chips para clientes em todo o mundo em 2021. A China, que não adotou sanções à Rússia, produz chips cada vez mais sofisticados.
REFORÇO. A Associação da Indústria de Semicondutores, que representa as principais empresas de chips, diz que combate o comércio ilícito, mas controlar seu fluxo é difícil. “Com 1 trilhão de chips vendidos globalmente a cada ano, não é tão simples quanto apertar um botão”, afirmou a associação, em comunicado.
Os russos tinham um grande estoque acumulado antes da invasão. Mas esse suprimento está acabando, tornando mais urgente obter novos chips. Um relatório da Conflict Armament Research, que examina armas russas recuperadas na Ucrânia, revelou exemplos de armas russas fabricadas com chips americanos.
Três chips idênticos feitos por uma empresa dos EUA foram encontrados em drones Lancet recuperados na Ucrânia, em fevereiro e março, segundo Damien Spleeters, que liderou a investigação.
Autoridades americanas e europeias estão cada vez mais preocupadas com o fato de a Rússia estar obtendo mercadorias através de países como Armênia, Casaquistão e outros da Ásia Central. Um documento do Escritório de Indústria e Segurança dos EUA diz que, em 2022, a Armênia importou 515% a mais de chips e processadores dos EUA e 212% a mais da UE do que em 2021. Os armênios exportaram 97% deles para a Rússia.
Recentemente, EUA e UE enviaram funcionários para países que vendem chips para a Rússia
EUA e UE recentemente despacharam funcionários para países que estavam embarcando chips para a Rússia. Estevez conta que, em visita à Turquia, convenceu o governo local a interromper os envios e a manutenção de aviões russos em aeroportos turcos.
Funcionários do governo americano dizem que as remessas de chips para a Rússia caíram 41%, entre 2021 e 2022. Matthew Axelrod, fiscal do Escritório de Indústria e Segurança, disse que foi uma “diminuição significativa”. “Mas ainda há certas áreas do mundo que estão sendo usadas para levar esses itens para a Rússia”, afirmou.
Fonte: O Estado de S. Paulo
