Por Financial Times
03/02/2023 05h01 Atualizado há 3 dias
O pensamento positivo parece ser a única estratégia entre aqueles no Partido Republicano que relutam em ver Donald Trump dominar outro ciclo eleitoral. Se os republicanos quiserem forjar um futuro pós-Trump, terão de fazer mais do que apenas esperar que o ex-presidente se vá.
Do jeito que está, a disputa para garantir a indicação presidencial republicana para 2024 é uma corrida de um cavalo só. Trump – o único candidato importante até agora a se apresentar formalmente – já está em campanha. Ele usou comícios na Carolina do Sul e New Hampshire e sua plataforma Truth Social para expor promessas inquietantes sobre gênero, fronteiras e o sistema judiciário, que prometem dividir ainda mais o país em vez de uni-lo.
Decisões recentes do Twitter e agora do Facebook de reverter suas proibições significam que seu megafone foi restabelecido em um momento-chave: mesmo que ele ainda não tenha usado nenhum dos dois, o alcance potencial de sua mensagem tóxica será capaz de abafar os adversários.
Existem paralelos inquietantes com 2016, mesmo que Trump tenha provado nos últimos três ciclos eleitorais que é um perdedor de votos, e não um ganhador de votos. Na época, como agora, o establishment republicano tinha certeza de que não era possível para tal candidato conseguir a nomeação. Sua complacência e inação condenaram seu partido e condenaram o povo americano. Eles não deveriam cometer o mesmo erro duas vezes.
A melhor esperança – embora muito pequena – para o partido é ele se unir em torno de um único candidato. O 45º presidente dos EUA ainda tem vantagem nas pesquisas sobre outros potenciais candidatos, incluindo Ron DeSantis, o barulhento governador da Flórida, que às vezes é retratado como a grande esperança do partido; e Nikki Haley, ex-embaixadora na ONU que pode anunciar sua candidatura neste mês. Do contrário, o risco de uma competição do tipo o vencedor leva tudo é que vários desafiantes acabarão dividindo o voto “Trump jamais”.
Doadores e grandes empresas também estão aguardando antes de agir. O silêncio talvez seja compreensível: DeSantis, por exemplo, criticou a chamada “Woke Inc”, punindo empresas como a Disney e a BlackRock, tidas como muito engajadas em causas sociais, raciais e identitárias. Empresas e doadores podem achar que ainda não devem endossar ninguém publicamente, mas precisam pensar nos cheques que vão assinar e procurar candidatos sensatos, e não populistas perniciosos.
Essa incapacidade de se unir em torno de um único desafiante contra Trump é uma bênção para os democratas, que preferem enfrentá-lo do que a qualquer outra pessoa em 2024. Eles poderão apontar para a toxicidade dele e para suas muitas mazelas judiciais – inclusive as recomendações de uma comissão bipartidária da Câmara dos Deputados para que ele enfrente acusações penais em torno da invasão do Congresso de 6 de janeiro de 2021. Além disso Joe Biden foi mais longe do que Trump em pressionar pelo cumprimento da agenda “Os EUA em Primeiro Lugar” por meio de sua posição anti-China e dos subsídios prometidos a empresas americanas pela Lei de Redução da Inflação.
Mas, mais do que quem eles escolherão para representá-los, os republicanos têm de entender o que eles representam. Sob Trump, o “partido do não” se atrofiou no partido do niilismo, definido não pelo que defende, e sim por aquilo que combate. Se não for questionada – devido ao medo, à inação e à falta de ideias -, a indicação é atualmente passível de resultar em vitória para Trump, se ele não cometer erros incontornáveis.
Fonte: Valor Econômico
