Por Scott Squires, Bloomberg
19/01/2023 14h36 Atualizado há 20 horas
O plano da Argentina de recomprar US$ 1 bilhão de sua dívida externa deixou os investidores de mercados emergentes coçando a cabeça.
O ministro da economia do país vizinho, Sergio Massa, anunciou nesta quarta-feira o plano de recompra de títulos com vencimento em 2029 e 2030, negociados a cerca de 30 cents por dólar. As notas saltaram para mais de 35 cents, o preço mais alto em mais de um ano, depois que Massa falou, estendendo um rali que já havia produzido retornos de 60% para os investidores desde outubro.
Embora recomprar os títulos por uma fração de seu valor de face possa, em última análise, economizar centenas de milhões de dólares em juros e pagamentos de principal para o país, os investidores apontam que o governo não tem muitos fundos nos cofres do banco central para bancar uma operação desse magnitude.
Os problemas financeiros de longa data da Argentina são, em parte, o motivo pelo qual os títulos estão tão baratos.
O plano faz tão pouco sentido que a alta no preço dos títulos pode durar pouco, à medida que os investidores analisam os detalhes, de acordo com Pablo Waldman, estrategista sênior da Inviu em Buenos Aires.
“Os recursos são muito limitados, e essa é uma maneira muito arriscada de aplicá-los”, disse Waldman. “Se eles não seguirem com outras medidas, o escopo muito limitado desse plano provavelmente não fará com que os títulos se recuperem mais.”
O anúncio é surpreendente porque as reservas líquidas do BC argentino ainda estão perigosamente baixas, em pouco mais de US$ 6 bilhões, de acordo com a corretora local Portfolio Personal Inversiones.
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A nação vizinha está sob pressão para reforçar essas reservas para cumprir metas definidas em seu programa de US$ 44 bilhões com o Fundo Monetário Internacional, e enfrenta uma seca severa que limitará o fluxo de dólares das exportações agrícolas, como farelo e óleo de soja, fontes de divisas fundamentais para o país.
Embora o Ministério da Economia da Argentina tenha fornecido poucos detalhes, as autoridades teriam planos de usar dólares em poder do Tesouro para financiar a recompra, segundo fontes. O governo estaria contando com importações menores de energia em 2023.
O ministério da economia argentino não quis comentar.
Fonte: Valor Econômico