As negociações entre a Raízen e os credores para a reestruturação da dívida bilionária da empresa começaram com uma sinalização que desceu quadrada entre os principais bancos.
Na semana passada, a companhia indicou que precisa converter entre 45% e 50% das dívidas em ações, apurou The AgriBiz com três fontes que acompanham as conversas. Esse é o percentual necessário para equilibrar a estrutura de capital, trazendo o índice de alavancagem (relação entre dívida líquida e Ebitda) para 3 vezes.
Além da conversão, a Raízen sinalizou que o restante da dívida da recuperação extrajudicial, de R$ 65 bilhões, seria alongada. A companhia também faria mudanças no perfil desse crédito, que passou a ser de um negócio high yield. Nesse tipo de empresa, os financiamentos podem contar com garantias e covenant.
Os bancos não gostaram do grau de conversão proposto na semana passada, segundo as fontes. Nesse formato, os credores se tornariam acionistas extremamente relevantes, o que não é o desejo das instituições.
Pelos termos sugeridos, os credores ficariam com o controle formal do negócios. Os atuais controladores (Shell e Cosan) teriam perto de 30% das ações ordinárias após a conversão — uma diluição expressiva para quem possui a totalidade desses papéis.
A ideia é que a Raízen formalize a proposta nesses moldes até a próxima semana. Depois da Páscoa, os assessores da companhia devem se reunir com os credores em Nova York. Lá, conversarão com os representantes dos detentores de bonds — que detêm a maior parte da dívida.
Nas negociações, os bancos ainda pressionam por um aporte da Cosan na Raízen, o que ajudaria a converter um percentual menor da dívida em ações. Por enquanto, o conglomerado controlado por Rubens Ometto e BTG Pactual não cedeu, o que inclusive criou um problema para o IPO da Compass — controlada pela Cosan.
Sendo assim, a proposta da Raízen considera apenas o compromisso de investimento de R$ 3,5 bilhões da Shell e de R$ 500 milhões da Aguassanta, veículo de investimentos de Ometto.
Para uma fonte que acompanha as conversas, os credores podem até não gostar da conversão em ações, mas esse é um caminho inevitável. Sem ele, a alternativa seria um haircut explícito da ordem de 50%.
Ao converter entre 45% e 50% das dívidas em ações, os credores ficariam com um ativo com chances de valorização, o que não acontece em um haircut explícito, quando a dívida vira pó.
Fonte: The AgriBiz
