Sistemas digitais fazem acompanhamento desde a triagem até a liberação automática de leitos
Por Ana Luiza Mahlmeister — Para o Valor, de São Paulo
31/05/2022 05h04 Atualizado há 7 horas
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Pedro Melo, presidente do Hospital Unimed Caruaru: ganho operacional a partir do maior giro de leitos — Foto: Divulgação
A complexa cadeia da gestão hospitalar se apoia cada vez mais em tecnologias como inteligência artificial (IA) e machine learning (ML) para acompanhar desde processos simples de triagem a procedimentos como previsão de alta e liberação automática de leitos, diminuindo as filas e humanizando o atendimento.
Além de plataformas que acompanham a jornada do paciente desde o pronto-socorro até a saída do hospital, assistentes virtuais automatizaram tarefas como informar o endereço de uma unidade, atuando também em questões mais detalhadas como a utilização de medicamentos contínuos, reduzindo o tempo que um paciente levava para ter acesso às informações, explica Ricardo de Andrade Silva, diretor de produtos da Woopi, empresa do Grupo Stefanini.
Sistemas de IA auxiliam no agendamento on-line e na previsão da demanda, antecipando necessidades de recursos e profissionais, avaliando coberturas de plano de saúde e reduzindo a espera pelos serviços, aponta José Luis Bruzadin, diretor de soluções de saúde da Capgemini.
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A rotatividade e liberação dos leitos é um ponto crítico nos hospitais e acelerou a adoção de sistemas digitais de gestão. No Hospital Sírio-Libanês, ferramentas de IA projetam qual a data provável da alta do paciente a partir das informações disponíveis na admissão, prevendo diariamente a disponibilidade de leitos. Para consolidar esses dados, o Sírio conta com uma plataforma que acompanha todos os processos hospitalares, da chegada ao pronto atendimento, internação e alta. “É um centro de comando dentro do conceito ‘lean’ onde a equipe visualiza o que está sendo feito e o que será executado, reduzindo as ineficiências e consumindo o mínimo de recursos”, afirma Felipe Veiga, diretor médico em tecnologia da informação e imagens médicas e gerente de produto na área de inteligência de dados no Hospital Sírio-Libanês.
A equipe de internação e gestão de leitos faz o acompanhamento para uma rápida transição do paciente seja para “day-hospital”, “home care” ou alta. “As tecnologias de visualização dos processos aliadas à equipe médica permitiram um aumento do giro de leitos e consequentemente um ganho operacional”, ressalta Veiga.
Para obter maior transparência e acompanhar toda a jornada do paciente, o Hospital Unimed Caruaru (PE) adotou o command center, da MV. O atraso de um paciente na alta hospitalar prejudica todos os outros processos, e muitas vezes o problema só é percebido na hora que chega um novo doente e o leito não está disponível. “O sistema de comando mapeia os processos mostrando o que pode ser corrigido antes que os problemas ocorram”, explica Pedro Melo, presidente do Hospital Unimed Caruaru.
No bloco cirúrgico, por exemplo, quando o cirurgião reclama do atraso do paciente, nem sempre a culpa é do maqueiro, o responsável pelo fim da etapa. “Só com um sistema de monitoramento é possível saber o tempo de resposta de cada área e identificar exatamente onde a falha aconteceu”, diz Melo. No momento em que o paciente dá entrada no hospital ele começa a ser monitorado, com ações medidas em tempo real. “Qualquer divergência com o parâmetro estabelecido dispara um alarme em diferentes níveis hierárquicos até que o problema seja resolvido.”
Uma parceria entre a Federação das Santa Casas e Hospitais Filantrópicos de Minas Gerais (Federassantas) e a Techtools Health com o apoio da Roche, está ajudando os gestores de saúde a alcançar pacientes com câncer de mama que precisam ser reinseridas no sistema. A Atende Saúde, plataforma criada pela Techtools Health – adotada na Santa Casa de Poços de Caldas (MG) para atender 2 mil mulheres entre 50 e 69 anos -, consolida informações do SUS, como os prontuários e os pontos de acesso do tratamento. Com isso, a atenção primária busca assegurar o exame bianual em mulheres em idade alvo, encaminha aquelas com sintomas mamários para atenção secundária e investigação diagnóstica precoce para os hospitais especializados, explica Jeff Plentz, fundador e presidente do conselho da Techtools Health.
Diminuir o tempo ocioso nos centros cirúrgicos e facilitar o pagamento de procedimentos foi o objetivo do Grupo Fleury ao firmar uma parceria com a Dr.Cash, startup que financia procedimentos médicos e estéticos. Segundo Lucas Hamú, cofundador da Dr.Cash, a Saúde iD, plataforma digital do grupo para procedimentos médicos e cirurgias de baixa complexidade, faz o agendamento e se conecta ao sistema de financiamento. O programa faz uma análise financeira e perfil de crédito do paciente e libera os valores e o parcelamento do procedimento.
Fonte: Valor Econômico