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Logo depois de o presidente dos EUA, Joe Biden, ter anunciado a decisão de retirar-se da disputa eleitoral, um grupo informal de assessores econômicos começou discretamente a discutir como articular melhor as ideias da vice-presidente Kamala Harris para a economia. O desafio era diferenciar a candidata do chefe impopular, mas sem abandonar as políticas de Biden.
A equipe de Kamala agora trabalha em um arcabouço de políticas econômicas cujo foco é tornar a habitação mais acessível, reduzir custos para famílias, combater excessos empresariais e impulsionar pequenas empresas, de acordo com fontes envolvidas no tema.
O objetivo do plano é tornar claras as prioridades de Kamala para os eleitores, em meio às críticas de que ela não apresentou propostas detalhadas durante as primeiras semanas na campanha. Ainda assim, os contornos exatos do plano ainda estão sendo definidos. Acredita-se que Kamala testará essas mensagens na prática em um comício hoje, em Raleigh, na Carolina do Norte.
Quando ela de fato apresentar os planos nas próximas semanas, é improvável que ela se desvie muito de Biden, segundo seus assessores. Em vez disso, eles esperam pequenas mudanças de ênfase, que destaquem suas prioridades. Kamala planeja salientar seu histórico como procuradora, além de seu empenho em questões como licença familiar remunerada, tanto como senadora quanto como vice-presidente.
Kamala, a primeira mulher negra a se tornar candidata de um grande partido, é conhecida por incentivar sua equipe a analisar questões políticas sob a ótica de como elas afetam mulheres, crianças e minorias, e ela planeja reforçar essa mensagem na campanha. Ela apoiou abertamente as propostas do governo Biden para tornar os serviços de creche e de cuidado de idosos mais acessíveis.
“Ela reconhece que há partes específicas dentro dos compromissos compartilhados entre eles nas quais os valores e a voz dela podem brilhar particularmente”, disse um assessor de Kamala.
Embora Biden tenha criticado várias vezes as empresas por suposta exploração de preços, os assessores de Kamala acreditam que podem usar a experiência da vice-presidente como procuradora-geral para atrair mais atenções para o tema durante a campanha.
Kamala fez do combate às irregularidades nas empresas americanas a parte central de seu discurso aos eleitores. “Como procuradora-geral, responsabilizei os bancos de Wall Street por fraudes”, disse em comícios recentes, referindo-se a seu papel um acordo judicial entre Estados e credores de financiamentos imobiliários durante a crise de 2007-2010.
No sábado, em um sinal de que Kamala também está disposta a ir além de Biden nas medidas econômicas, ela defendeu o fim dos impostos sobre gorjetas, adotando uma ideia inicialmente proposta pelo rival republicano, Donald Trump. Biden tinha apoiado a proposta antes dos comentários de Kamala. A Casa Branca informou na segunda-feira, dois dias após o endosso de Kamala à proposta, que Biden também a apoia.
“Eles estão alinhados há três anos e meio”, disse a secretária de imprensa da Casa Branca, Karine Jean-Pierre, nesta semana. “Não há divergências.”
Kamala aderiu a partes essenciais da agenda de compromissos de Biden, ao mesmo tempo em que se distanciou de propostas que apoiou durante a campanha de 2020, quando se inclinou mais à esquerda ao competir contra progressistas como o senador independente Bernie Sanders. Nas últimas semanas, Kamala prometeu não aumentar impostos para quem ganha menos de US$ 400 mil por ano, mantendo um elemento central da agenda econômica de Biden. Também recuou em seu apoio anterior à proibição da tecnologia de fraturamento hidráulico para extrair petróleo.
Enquanto preparam os planos de Kamala, seus assessores econômicos têm debatido até que ponto entrar em destalhes, de acordo com fontes a par das discussões, diante dos receios de alguns democratas de que divulgar um plano muito volumoso possa abrir a vice-presidente a críticas de republicanos e de membros do próprio partido. Acredita-se que o arcabouço de políticas econômicas delineará áreas gerais apoiadas por ela, evitando muitos detalhes espinhosos. Os assessores dizem querer que os planos representem um contraste com Trump, mas sem parecer um documento técnico.
A ascensão de Kamala ao topo da chapa revigorou os democratas, e alguns aliados alertaram contra fazer qualquer coisa que possa desacelerar esse ímpeto, incluindo longas entrevistas à imprensa.
A equipe econômica de Kamala conta com nomes como Brian Nelson, ex-funcionário do Departamento do Tesouro; Mike Pyle, assessor de longa data de Kamala e ex-vice-assessor de segurança nacional de Biden para economia internacional; Brian Deese, ex-diretor do Conselho Econômico Nacional; Gene Sperling, ex-assessor econômico de Biden; Deanne Millison, ex-principal assessora econômica de Kamala; Rohini Kosoglu, ex-assessora de política interna de Kamala; e Grace Landrieu, ex-assessora econômica de Biden.
A equipe de Kamala também pediu a opinião de funcionários antigos e atuais do governo Biden, como Bharat Ramamurti, ex-diretor adjunto do Conselho Econômico Nacional e auxiliar de longa data da senadora Elizabeth Warren.
Como vice-presidente, Kamala construiu bons relacionamentos com líderes empresariais, realizando jantares privados regulares com executivos. A equipe de Kamala buscou um feedback sobre os planos com Blair Effron, um investidor de Wall Street, cofundador do banco de investimentos Centerview Partners, e do ex-executivo do setor tecnologia Charles Phillips, copresidente da organização de líderes empresariais negros Black Economic Alliance, segundo fontes a par do assunto.
Kamala mantém relações próximas com o presidente do Banco Mundial, Ajay Banga; com o presidente da Microsoft, Brad Smith; e com Ken Chenault, ex-executivo da American Express e cofundador da OneTen, uma iniciativa para criar empregos bem remunerados para americanos negros.
Os planos de Kamala terão foco nas questões econômicas que afetam as famílias trabalhadoras com crianças pequenas, segundo seus assessores. Espera-se que ela defenda a licença familiar remunerada, serviços acessíveis de creche, redução dos custos da saúde e de medicamentos e a ampliação do crédito tributário para quem tem filhos. São questões propostas por Biden no início de seu mandato, mas que foram rejeitadas por republicanos e alguns democratas.
Fonte: Valor Econômico
