Por Lucianne Carneiro — Do Rio
06/12/2023 05h02 Atualizado há 5 horas
O Produto Interno Bruto (PIB) per capita ficou estável no terceiro trimestre de 2023, segundo cálculo da economista Silvia Matos, pesquisadora sênior da Economia Aplicada do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre) e coordenadora do Boletim Macro Ibre. Nas suas contas, o PIB per capita deve crescer 2,4% em 2023 – por causa de uma projeção atualizada de alta de 2,9% do PIB como um todo -, o que significará retomar o pico da série histórica do PIB per capita no país, em 2013.
O cálculo para o terceiro trimestre considera a variação de 0,1% e já incorpora o Censo 2022, com ritmo mais lento de crescimento populacional e um país com 203,1 milhões de pessoas. O aumento da população por ano agora fica em 0,45%, ou 0,11% no trimestre. Pelas projeções populacionais anteriores ao Censo, essa velocidade era de 0,68% por ano, ou 0,17% por trimestre.
O crescimento mais devagar da população “segura” o número de pessoas que precisam dividir a mesma economia. Ao mesmo tempo, no entanto, destaca Matos, confirma que o desafio de crescimento da economia está cada vez mais difícil no atual contexto de transição demográfica.
“O crescimento mais lento da população ajuda no resultado do PIB per capita, mas não dá para comemorar isso. É a armadilha de renda média a que o Brasil está preso, ainda precisa crescer o tamanho de sua economia porque o nível per capita é muito baixo. Parece que a situação está melhor, mas está cada dia mais difícil crescer. A gente agora tem uma maratona para o PIB crescer, tem que correr mais”, afirma a economista.
O indicador de PIB per capita relaciona a riqueza de um país com o tamanho de sua população e funciona principalmente para comparar a situação de um país com os demais. Há, no entanto, limitações, porque representa uma média e não contempla as desigualdades entre a população.
Com a transição demográfica, aponta Matos, há uma oferta menor de mão de obra jovem, o que aumenta a necessidade de se evitar o desperdício e ampliar a qualificação desses jovens. “Estamos envelhecendo rapidamente e ainda com desafios de educação, a qualidade de aprendizado não avança tanto”, diz ela, citando o resultado recém-divulgado do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa).
Neste contexto de preocupação com o capital humano, Silvia Matos defende a inclusão produtiva desses jovens, para evitar custo futuro do Estado com transferências de renda. Além disso, destaca que o perfil de crescimento de 2023, com queda de investimento, não é o de melhor qualidade quando se pensa no potencial de expansão futura da economia.
Um olhar mais positivo nesse debate, ressalta Matos, é sobre a produtividade, que voltou a subir neste ano, embora permaneça “anêmica”. “Os dados foram melhores como um todo, mesmo sem agropecuária. A má notícia é que a produtividade é muito anêmica, tem muito a melhorar. Sem produtividade, não tem como manter crescimento contínuo do PIB per capita.”
Fonte: Valor Econômico
