O petróleo caiu nesta segunda-feira (22) após sinais de avanço nas negociações de paz entre Washington e Teerã, em uma sessão que começou volátil depois de novas ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o Irã.
O Brent chegou a cair para abaixo de US$ 80 por barril, revertendo uma alta intradiária de até 2,2%. Já o West Texas Intermediate (WTI) ficou em torno de US$ 76.
Segundo um comunicado de mediadores como Catar e Paquistão, as partes concordaram com um roteiro para tentar alcançar um acordo final em até 60 dias, com continuidade das conversas técnicas ao longo da semana em negociações realizadas na Suíça. A reunião ocorre após um memorando de entendimento assinado na semana anterior.
O acordo chegou a ser colocado em dúvida no fim de semana, quando o Irã afirmou ter fechado o Estreito de Ormuz em meio a acusações de violação do cessar-fogo no Líbano contra Israel. Apesar disso, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, disse em publicação na rede X que a mediação suíça trouxe avanços relevantes nas discussões sobre o conflito libanês.
As negociações começaram de forma instável, após relatos da mídia iraniana de que Teerã teria suspendido sua participação em resposta às ameaças de Trump. No entanto, fontes próximas às conversas afirmam que os diálogos continuaram até a madrugada de segunda-feira.
As discussões incluem mecanismos para garantir a manutenção da abertura do Estreito de Ormuz e a implementação do cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah no sul do Líbano, segundo um diplomata americano envolvido nas tratativas.
A região do Oriente Médio é responsável por cerca de um terço da produção global de petróleo, e o conflito já vinha afetando o fluxo de energia. Ainda que os preços tenham recuado nas últimas semanas, eles seguem acima dos níveis anteriores à guerra, sustentados por incertezas sobre o abastecimento e pela resposta parcial das refinarias globais.
Apesar das tensões, o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz continuou ao longo do fim de semana. Ainda assim, executivos do setor alertam para instabilidade persistente. “Acreditamos que os mercados continuam excessivamente otimistas quanto à retomada sustentada do fluxo de petróleo do Oriente Médio”, disse Evan Greenberg, CEO da Chubb, à Fox News.
O analista Vivek Dhar, do Commonwealth Bank of Australia, afirmou que a incerteza sobre produção e logística deve seguir pressionando o mercado. Segundo ele, o eventual fim do conflito poderia liberar cerca de 80 milhões de barris de petróleo ao mercado global, o que exigiria capacidade de absorção pelas refinarias.
Enquanto isso, produtores do Golfo Pérsico começam a ajustar a oferta: o Kuwait retirou avisos de força maior, e a Abu Dhabi National Oil Co. orientou clientes a retomarem o carregamento de petróleo bruto, além de ampliar vendas em licitações à vista.
A atividade no mercado também aumentou no início da sessão, com mais de 11 mil contratos de Brent negociados nos primeiros minutos. O spread imediato do benchmark global subiu ligeiramente em backwardation, embora esteja bem abaixo dos níveis observados no início de abril.
Fonte: Valor Econômico


