Os contratos futuros de ouro operam em queda nesta segunda-feira (13), pressionados pela renovada tensão geopolítica no Oriente Médio. O movimento ocorre após o presidente Donald Trump ameaçar o bloqueio do Estreito de Ormuz, gerando temores imediatos de um choque no fornecimento global de energia. Por volta das 12h25 (horário de Brasília), o ouro caía 1,1%, a US$ 4.738,82 por onça-troy.
A possibilidade de interrupção no fluxo de combustíveis fez o preço do petróleo saltar, espalhando cautela nos mercados financeiros devido ao potencial impacto inflacionário global.
Segundo Fellipe Rabelo, especialista em investimentos e sócio cofundador da V2R Investimentos, a escalada no Oriente Médio reacende a volatilidade e pressiona expectativas para energia, câmbio e inflação. “Quando há uma incerteza global, o mercado reage antes mesmo de os efeitos aparecerem. Petróleo, dólar e Bolsa funcionam como um termômetro do medo”, diz ele.
A relevância do Estreito de Ormuz justifica o nervosismo: a rota é responsável pelo transporte de aproximadamente 20% do consumo global de líquidos de petróleo.
E por que o ouro cai se é um “porto seguro”?
Embora o metal seja tradicionalmente buscado como proteção, dois fatores principais explicam a queda atual, na avaliação de Mauriciano Cavalcante, economista da Ourominas:
- Fortalecimento do dólar: A valorização da moeda americana encarece o metal para investidores internacionais;
- Ajustes técnicos: segundo Cavalcante, o movimento também reflete correções naturais após as oscilações recentes nos preços.
Para o economista da Ourominas, a dinâmica do metal continua diretamente ligada às expectativas de juros nos Estados Unidos. “Juros mais altos aumentam o custo de oportunidade do ouro, enquanto cenários de maior instabilidade global tendem a sustentar sua demanda no médio prazo”, diz.
Fonte: Valor Investe
