Por Rodrigo Santoro
25/08/2023 05h02 Atualizado há 6 horas
Compreender os ciclos econômicos e os seus impactos no mercado de capitais tem sido uma fonte significativa de resultados para os investidores. O mercado funciona como um pêndulo, tornando essencial o entendimento sobre seu funcionamento para as alocações de investimento.
Evitar correções bruscas após momentos de euforia de preços, acompanhadas do fim de ciclo de juros baixos, e participar dos estágios iniciais de uma recuperação, que muitas vezes são iniciadas pela reversão de uma política monetária restritiva, desempenha um papel fundamental para o retorno do investimento em longo prazo.
Na renda variável, compreender o ciclo torna-se ainda mais relevante devido à volatilidade dos ativos e às grandes oportunidades geradas nessas movimentações de mercado. Reconhecer a probabilidade de um movimento de inflexão do mercado é frequentemente mais importante do que previsões pontuais.
O cenário atual de normalização da inflação e o início do ciclo de corte de juros sugerem que provavelmente estamos no início de um movimento de valorização dos índices de renda variável. Esse movimento tem potencial de ser duradouro e trazer bons retornos para os investidores. Observando os últimos ciclos, constatou-se uma mediana de valorização de 37% nos primeiros 12 meses após o primeiro corte de juros e de 76% após dois anos do corte inicial.
Historicamente, a retomada do ciclo no mercado de ações pode ser dividida em duas fases. A primeira é marcada pela expansão dos múltiplos das companhias. Essa fase do movimento está associada a uma redução no custo de capital, levando os investidores a aceitarem retornos futuros menores devido a menor taxa de juros e menor risco de cauda. Nesse primeiro momento, a valorização é frequentemente acompanhada por uma revisão negativa dos lucros, uma vez que os investidores antecipam a reversão da tendência. A segunda fase, mais longa que a primeira, está associada a revisões positivas de resultados, decorrentes de uma perspectiva melhor de crescimento econômico e redução do custo financeiro das companhias.
Momentos de virada de ciclo são especialmente favoráveis para as empresas de menor capitalização, as small caps. Durante uma correção de mercado, essas ações podem enfrentar a falta de liquidez e serem afetadas pela onda de resgates de fundos de investimentos, o que muitas vezes leva os gestores a venderem as suas posições sem levar em conta os fundamentos das empresas. Esse movimento técnico cria oportunidades significativas em um cenário em que as perspectivas estão melhorando e o fluxo positivo para investimentos em renda variável está retornando.
No Brasil, essas companhias são mais expostas à economia doméstica, sendo mais sensíveis a uma retomada do crescimento econômico, ao contrário do Ibovespa, que possui uma grande representatividade do setor de commodities e financeiro. Além disso, essas companhias têm maior oportunidade de crescimento e consolidação nos mercados em que atuam, principalmente após o fim de um ciclo de aperto monetário, no qual os concorrentes menores e sem acesso ao mercado de capital se encontram em situação mais frágil.
Durante a segunda fase do ciclo de retomada, em que o crescimento de lucros é um fator chave para a valorização das ações, torna-se ainda mais crucial a seleção em um universo tão amplo e pouco coberto como o de small caps. Investir nessa classe de ativos apresenta maior risco, portanto, ter um processo de investimento testado em ciclos anteriores é essencial para que o investidor possa aproveitar as oportunidades. O momento é o de oportunidade de investir em boas empresas, bem geridas e a preços atrativos.
Importante mencionar que o investimento em renda variável exige paciência e disciplina. O início do ciclo de corte de juros no Brasil, somado à estabilização da inflação global, pode configurar um ambiente favorável para a retomada dos preços das ações, especialmente as small caps. Reforça-se a importância da diversificação do portfólio entre diferentes classes de ativos e a alocação de riscos de acordo com o perfil de cada investidor, considerando também seu horizonte de investimento.
Fonte: Valor Econômico

