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Em meio a dois rebaixamentos de seus papéis pela agência de classificação de risco Fitch, num intervalo de apenas cinco dias, entre fevereiro e março, a OncoclínicasCotação de Oncoclínicas negocia com os credores uma reestruturação de sua dívida, que, no terceiro trimestre de 2025, somava cerca de R$ 4,8 bilhões. A rede de tratamento para câncer está vendo sua crise se deteriorar ainda mais devido à relação com o Banco Master, que era um dos seus acionistas, e nesse cenário uma recuperação extrajudicial (RE) é vista como uma possibilidade, segundo o Valor apurou.
Ainda de acordo com fontes, o modelo em discussão prevê uma pausa na cobrança das dívidas (mecanismo conhecido como “standstill”), alongamento de prazo e um desconto (“haircut”) de até 10% nos valores devidos. Há ainda a possibilidade de um novo aumento de capital. Em novembro, a companhia levantou R$ 1,4 bilhão basicamente com a adesão de debenturistas que aceitaram trocar dívida por ações.
Da dívida total, cerca de R$ 2 bilhões são empréstimos bancários e a outra fatia são debêntures, considerando o balanço do terceiro trimestre de 2024.
Neste ano, a OncoclínicasCotação de Oncoclínicas precisa pagar R$ 701 milhões em amortização bancária e R$ 105 milhões de aquisições. Em 2027, a dívida com os bancos é de R$ 1,1 bilhão e R$ 25 milhões dos ativos comprados.
Do saldo atual de debêntures, R$ 1,5 bilhão corresponde a papéis que serviram de lastros para duas emissões de certificados de recebíveis imobiliários (CRIs). O restante é referente aos títulos de três emissões, conforme cálculo feito a partir dos preços disponíveis no site da Anbima.
Os vencimentos das debêntures variam entre 2027 e 2032 e todos os títulos têm pagamentos de juros previstos para março, abril, maio e junho deste ano.
As ofertas foram feitas a partir de 2022. A última vez que a OncoclínicasCotação de Oncoclínicas acessou o mercado de debêntures foi em 2024. Naquele ano, foram duas operações. Em setembro, o grupo emitiu R$ 190 milhões para reforçar o caixa e pré-pagar uma dívida com o Banco do Brasil. Antes disso, em abril, levantou R$ 800 milhões também para reperfilamento do passivo.
Na segunda-feira (9), a companhia informou que está negociando com os debenturistas a prorrogação do pagamento do principal e juros da dívida para o próximo dia 1º de junho. A rede de clínicas também busca a liberação da cláusula (“covenant”) que limita a alavancagem em 3,5 vezes o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) por 90 dias.
Isso porque há uma expectativa que a OncoclínicasCotação de Oncoclínicas não consiga apresentar seu balanço de 2025 (programado para ser divulgado em 30 de março) dentro desses parâmetros – o que deixa a empresa inadimplente possibilitando aos credores executar a antecipação total da dívida.
O curto prazo do “standstill” chama atenção. Há vários casos de empresas que pediram uma suspensão temporária de pagamentos e na sequência entraram em recuperação extrajudicial ou judicial. Um exemplo é a Americanas, antiga casa de Camille Faria, executiva que agora é vice-presidente da Oncoclínica e há cerca de um mês lidera a reestruturação da companhia. A presença da executiva é bem vista pelos credores, que veem nela disposição para acomodar as questões de cada um.
O J.P. Morgan acredita que a companhia precisa refinanciar cerca de R$ 1 bilhão. “Destacamos a necessidade de captar ou refinanciar cerca de R$ 1 bilhão em dívidas em 2026 e 2027, assumindo que a melhoria na estrutura de capital de giro do terceiro trimestre de 2025 se mantenha e que a margem operacional melhore”, disse Joseph Giordano, analista do banco, em relatório. Em outro documento, Giordano afirmou que a prorrogação de pagamentos com os credores não chega a ser uma surpresa, dada a liquidez apertada da OncoclínicasCotação de Oncoclínicas.
Analistas da Fitch também apontaram, em relatório, a necessidade de rolagem de, ao menos, R$ 1 bilhão em 2026 para honrar obrigações e cobrir o fluxo de caixa livre negativo que é esperado.
Em 26 de fevereiro, a Fitch rebaixou o rating da OncoclínicasCotação de Oncoclínicas para ‘CCC-(bra)’, de ‘BBB(bra)’. A Fitch também rebaixou os ratings da nona, da 11ª e da 12ª emissões de debêntures.
Dias depois, em 2 de março, foram rebaixados os CRIs, emitidos pela Opea citando a qualidade de crédito da devedora. Segundo a agência, “o rebaixamento reflete o aumento das preocupações com a liquidez da OncoclínicasCotação de Oncoclínicas, diante da reduzida posição de caixa e da elevada concentração de vencimentos de dívida no curto prazo.”
Os analistas reforçaram que a manutenção de fluxos de caixa das operações negativos e alta alavancagem restringem ainda mais a flexibilidade financeira da companhia, “elevando a probabilidade de a empresa buscar alternativas de financiamento que impliquem em potencial piora de termos para os credores.”
Com o aumento de capital de R$ 1,4 bilhão em novembro, havia expectativa de redução de alavancagem. A companhia chegou a divulgar um resultado pró-forma do terceiro trimestre considerando a entrada do recurso. Na época, informou que a alavancagem cairia de 4,2 vezes para 3 vezes, mas Faria disse ao Valor, na semana passada, que o múltiplo está mais próximo de 3,5 vezes – limite para estourar os ‘covenants’.
A necessidade de injeção de recursos tem sido recorrente na companhia. Em 2024, o Master aportou R$ 1,5 bilhão num aumento de capital, adquirindo uma fatia de 20%. Porém, os recursos foram aplicados em CDBs do próprio banco de Daniel Vorcaro, que está em liquidação extrajudicial.
A posição da companhia nesses CDBs era de R$ 433 milhões (R$ 217 milhões foram provisionados). Parte das ações que eram de Vorcaro hoje está sob posse do Banco de Brasília (BRB) . Os papéis da OncoclínicasCotação de Oncoclínicas foram dados como garantia pelo Master, que vendeu créditos podres ao BRB que, por sua vez, executou a fiança. Há discussão judicial entre as partes porque essas ações também serviram como garantia à companhia quando o banco foi liquidado.
Segundo reportagem de O Globo, Vorcaro repassou R$ 700 milhões a uma holding com sede nas Ilhas Cayman, no primeiro semestre de 2025. Em julho, essa holding, a Titan, aplicou R$ 314 milhões no fundo Tessália. O fundo era o veículo de Vorcaro na OncoclínicasCotação de Oncoclínicas, cujas ações foram executadas pelo BRB.
A OncoclínicasCotação de Oncoclínicas informou que “sua prioridade neste momento é avançar nas discussões com seus credores financeiros sobre uma eventual prorrogação de prazos de pagamento de parcelas de principal e juros com vencimento nos próximos meses [‘standstill’], conforme comunicado ao mercado nos últimos dias.” A companhia destacou ainda que “quaisquer outras informações ou interpretações que extrapolem o que já foi oficialmente comunicado ao mercado não procedem e têm caráter especulativo”.
Fonte: Valor Econômico
