O “tsunami” de capital estrangeiro de mais de R$ 20 bilhões para a bolsa local neste ano pode criar um “momento ótimo” para empresas brasileiras alavancadas que desejam realizar aberturas de capital (IPOs) e “follow-ons” (ofertas subsequentes) no Brasil, segundo gestores e executivos de grandes bancos.
Durante um painel realizado no evento do UBS BB ontem, o diretor de investimentos e sócio-fundador da Legacy Capital, Felipe Guerra, destacou que os aportes expressivos de estrangeiros feitos neste começo de ano são “avassaladores” e que podem incentivar uma troca de “dívida por ações” por parte das empresas.
“O momento atual é ótimo para as empresas que estão alavancadas fazerem emissões, IPOs e ‘follow-ons’; trocar um pouco de dívida por ‘equity’ [ação], com os juros a 15%”, diz. “Aproveita essa euforia e emite ações. O pessoal está querendo comprar ações e você consegue reduzir a dívida”, afirmou o executivo.
Números da B3Cotação de B3 dão uma ideia da magnitude de capital estrangeiro que já entrou desde o começo deste ano. No acumulado do mês até a última segunda-feira (26), o montante aportado por investidores não residentes no segmento secundário da B3Cotação de B3 (ações já listadas) alcançou R$ 20,2 bilhões, o que seria equivalente a quase 80% dos R$ 25,4 bilhões aportados pela categoria ao longo de 2025.
Em conversa com um executivo de um grande banco, a visão é a mesma. Para ele, a euforia atual dos estrangeiros pode ajudar a antecipar uma janela de IPOs que a casa acreditava que poderia ser aberta somente entre o terceiro e o quarto trimestres deste ano.
Nesse sentido, o fluxo “gringo” poderia ajudar a quebrar o jejum de quatro anos sem ofertas de companhias brasileiras na bolsa local e modificar a dinâmica atual em que várias empresas têm preferido abrir capital nos Estados Unidos.
PicPay e Agibank estão entre os exemplos mais recentes de companhias que optaram por realizar as aberturas nas bolsas americanas. Ontem, o PicPay levantou US$ 499 milhões na Nasdaq, em uma oferta bastante demandada. A fintech conseguiu precificar a transação exatamente no topo da faixa indicativa de preço, que ia de US$ 16 a US$ 19.
Fonte: Valor Econômico