O Irã manterá o Estreito de Ormuz fechado como forma de pressão contra os EUA e Israel, afirmou ontem o novo líder supremo do país, Mojtaba Khamenei — o que deve manter o estrangulamento do fluxo de suprimentos que já fez as cotações internacionais do petróleo dispararem e reduzir as opções globais para conter a crise de energia.
Em seus primeiros comentários públicos desde que foi eleito para suceder ao pai, no fim de semana, Khamenei deixou claro que o regime não reabrirá Ormuz — a passagem por onde circulam mais de 20% do petróleo e do gás natural transportado por navios no mundo e que está praticamente intransitável desde os primeiros ataques da guerra.
Autoridades americanas afirmam que os iranianos instalaram minas navais no estreito — mesmo depois de as forças dos EUA terem anunciado a destruição de quase 30 embarcações destinadas a espalhar os artefatos.
“A demanda popular é continuar nossa defesa eficaz e fazer o inimigo se arrepender das agressões. A alavanca para bloquear o Estreito de Ormuz precisa continuar a ser usada”, afirmou, em comunicado lido por um locutor e transmitido pela imprensa estatal.
A perspectiva de continuidade de uma das mais graves interrupções já vistas no fornecimento global de energia elevou os preços do petróleo em cerca de 9%, para US$ 100 por barril, após terem caído no início da semana com a expectativa de um fim rápido do conflito (mais informações na página C2).
O aumento do preço ocorreu mesmo depois de a Agência Internacional de Energia (AIE) ter anunciado, na quarta-feira, que mais de 30 países liberariam 400 milhões de barris de petróleo de suas reservas de emergência — um recorde. Mas, em vez de tranquilizar os mercados estressados, a notícia pareceu assustar ainda mais os investidores, uma vez que ressalta o quanto está longe a reabertura da passagem.
Ontem, em uma outra tentativa de aliviar a tensão nos mercados, os EUA liberaram a venda de petróleo russo — sob sanção pela invasão da Rússia à Ucrânia — retido em alto-mar. “Esta medida de curto prazo e com escopo limitado aplica-se apenas ao petróleo já em trânsito e não proporcionará benefícios financeiros significativos ao governo russo, que obtém a maior parte de sua receita energética de impostos cobrados no ponto de extração”, escreveu o secretário do Tesouro, Scott Bessent, no X.
Diante das restrições à navegação na região, portos em Omã e na costa leste dos Emirados Árabes Unidos — ambos fora da estreita passagem marítima — passaram a ser usados como rotas emergenciais para mercadorias destinadas ao Golfo. Paralelamente, a Marinha dos EUA poderá começar a escoltar petroleiros pelo estreito até o fim de abril, segundo o secretário de Energia americano, Chris Wright.
Em meio às fortes oscilações recentes das cotações, a AIE advertiu ontem que a atual interrupção no fornecimento de petróleo já é a maior da história do mercado global.
No comunicado, Khamenei também sugeriu a possibilidade de ampliar a frente de confrontos. “Foram conduzidos estudos sobre a abertura de outras frentes nas quais o inimigo tem pouca experiência e seria altamente vulnerável, e a ativação delas ocorrerá se o estado de guerra persistir”, afirmou.
A declaração do lider supremo veio depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, ter dito que impedir o Irã de ter armas nucleares e de representar uma ameaça ao Oriente Médio é “de interesse e importância muito maior” para ele do que o custo do petróleo.
“Os EUA são os maiores produtores de petróleo do mundo, de longe, então enquanto os preços do petróleo sobem, ganhamos muito dinheiro”, escreveu ele nas redes sociais, antes de reafirmar a necessidade de neutralizar a “capacidade militar” do Irã — qualificando o país de “império do mal”.
Após quase duas semanas de combates, a postura desafiadora mostrada por ambos os líderes indica que a guerra no Oriente Médio não está perto de perder intensidade. Ontem, Israel lançou uma nova onda de ataques em larga escala pelo Irã, enquanto os iranianos intensificaram os ataques contra Dubai e embarcações.
Também ontem, dois petroleiros foram atingidos por embarcações carregadas de explosivos em um porto no Iraque e ficaram em chamas. Na véspera, os iranianos atacaram três navios no estreito, incendiando ao menos um deles.
Contrariando declarações dos EUA e de Israel, de que haviam destruído grande parte do estoque iraniano de armas de longo alcance, houve relatos ontem de mais drones sobrevoando o Kuwait, Iraque, Emirados Árabes, Bahrein e Omã.
No mesmo dia, um avião militar de reabastecimento dos EUA caiu no oeste do Iraque. Segundo o Comando Central americano, o incidente envolveu outra aeronave, mas não foi resultado de fogo inimigo nem amigo. Em comunicado, o comando informou que operações de resgate foram iniciadas após a queda do avião-tanque KC-135, enquanto a segunda aeronave envolvida conseguiu pousar em segurança.
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Fonte: Valor Econômico
