26 Apr 2023 DENISE LUNA
O navio-plataforma Anita Garibaldi deixa hoje o estaleiro Jurong, em Aracruz, no Espírito Santo, em direção ao campo de Marlim, na bacia de Campos, onde começará a ser interligado a 43 poços que antes produziam por meio de cinco plataformas. A substituição das unidades antigas vai reduzir pela metade as emissões de gases de efeito estufa (GEE) do campo, informa o gerente de unidades afretadas na fase de projeto da Petrobras, Carlos Romeiro.
O Anita Garibaldi se junta a outra unidade, o Ana Nery (que já está no local e vai substituir quatro plataformas), e com ele Marlim vai produzir 150 mil barris de petróleo por dia (bpd) já a partir do início do segundo semestre deste ano, informa a Petrobras.
As duas plataformas integram o programa da empresa de renovação da bacia de Campos, maior projeto de revitalização da indústria offshore mundial, segundo a Petrobras. A região, descoberta na década de 1980, já foi a principal bacia produtora da estatal, mas perdeu espaço para os gigantes reservatórios do présal, cuja descoberta coincidiu com o início do declínio da produção da bacia.
DESMONTAGEM. A bacia de Campos passa no momento por um intenso e bilionário processo de descomissionamento (desmontagem) de estruturas antigas, para tentar elevar a produção dos campos maduros. Cerca de 100 poços produtores serão interligados às novas unidades nos próximos cinco anos. Além de Anita Garibaldi e Ana Nery, outra unidade prevista é o navio-plataforma Maria Quitéria, no campo de Jubarte, no complexo do Parque das Baleias, na porção capixaba da bacia de Campos, com capacidade de 100 mil bpd.
Expansão Novo navio se junta ao Ana Nery, que já está no local; projeto prevê ainda a chegada do Maria Quitéria
A previsão é de que a produção na bacia de Campos atinja 900 mil boe/d (barris de petróleo e gás por dia) em 2027, três vezes mais do que seria possível se a estatal não substituísse os antigos sistemas por novos.
De propriedade da Modec, a FPSO Anita Garibaldi (sigla em inglês para plataforma com capacidade de flutuação, produção, armazenamento e transferência) foi afretada por 25 anos pela Petrobras. Também vai adicionar ao mercado 7 milhões de metros cúbicos de gás natural, que serão escoados por gasoduto.
Já o óleo contará com a transferência para navios aliviadores, que se aproximam da plataforma para receber o petróleo. O projeto foi iniciado em outubro de 2019 e teve atraso de pelo menos seis meses, por causa da pandemia de covid-19, que limitou atividades com grande concentração de trabalhadores.
A unidade será rebocada até a bacia de Campos, já que na conversão do navio petroleiro em navio-plataforma são retirados o leme e o poder de propulsão. •
Fonte: O Estado de S. Paulo
