A América Latina acumulou 328 MW de capacidade contratada – demanda já assinada, com entrega faseada ao longo de anos – em data centers no primeiro trimestre, o dobro dos 167 MW de todo o ano de 2025, marcando uma virada de patamar para a região, que vem absorvendo parte da demanda que caminhava para o Oriente Médio, mostra estudo da DataCenter Hawk.
O Brasil concentra os principais contratos da região, tendo cruzado a barreira de 1 GW acumulado em capacidade, segundo a consultoria. Somadas, os entornos de São Paulo e Campinas têm recebido a maior parte dos investimentos, somando mais de 760 MW.
A região metropolitana de Campinas, que triplicou sua capacidade contratada desde 2023, vai receber pelo menos um hyperscaler da Microsoft, que anunciou dois parques de servidores na área para treinar modelos com chips Nvidia, tornando essa a primeira operação pública do tipo registrada na América Latina.
Pela proximidade com cabos submarinos e pela matriz energética renovável, Fortaleza teve a quinta maior expansão da América Latina depois que a chinesa ByteDance, dona do TikTok, anunciou um mega data center com a Casa dos Ventos e a Omnia. Em poucos meses, a cidade passou de 15 MW para 215 MW contratados e potencial de expansão para até 1,8 GW.
Alvo preferencial das big techs, o Brasil enfrenta uma concentração de poucos players, que respondem juntos por 80% do leasing dos hyperscalers da América Latina: Microsoft (310 MW), AWS (239 MW), Google (213 MW) e ByteDance (201 MW). Oracle, Lambda, Alibaba e Huawei também estão na lista.
Segundo a consultoria, o impulso excepcional do primeiro trimestre vem do cenário geopolítico, com a instabilidade no Oriente Médio, que tem redirecionado investimentos de infraestrutura para mercados alternativos. A América Latina, com sua matriz renovável e terreno para erguer esses parques de servidores, aparece como ponto preferencial na rota do investimento estrangeiro.
A aceleração no Brasil vai na contramão da caducidade da MP que criava incentivos tributários para importação de equipamentos, o Redata, no fim de fevereiro. Segundo a DC Hawk, essa derrota levou o governo a mudar o pitch com investidores estrangeiros e passar a apresentar o país, Argentina, Chile, Uruguai e Costa Rica como um único mercado endereçável de energia. “O ano abriu em ponto de inflexão para o setor”, conclui o relatório.
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Fonte: Valor Econômico