Especialista do instituto destacou também uma mudança no comportamento do consumidor, que deixou de concentrar suas compras no varejo em itens básicos, como no supermercado, e diversificou mais
, Valor — Rio
As vendas de medicamentos e de lojas de departamento foram as principais influências positivas para o crescimento do varejo em fevereiro, pela análise setorial do desempenho, afirmou o gerente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) Cristiano Santos, ao comentar os resultados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC). O volume teve alta de 1% em fevereiro, a segunda seguida, após crescimento de 2,8% em janeiro.
Dois segmentos do comércio foram os que mais pesaram nesse resultado: artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (alta de 9,9%) e outros artigos de uso pessoal e doméstico (alta de 4,8%), onde estão as lojas de departamentos.
No caso de artigos farmacêuticos, foi a primeira alta de vendas após três meses de queda. Neste segmento, o impulso maior veio de medicamentos, enquanto houve estabilidade em produtos de higiene e beleza.
Já o segmento de outros artigos de uso pessoal e doméstico – que além das lojas de departamentos, reúne também as lojas de brinquedos, de esportes e relojoarias – teve a segunda alta seguida, com alta acumulada de 12,1%.
“O que mais puxou o comércio em fevereiro foi o segmento farmacêutico, principalmente a parte de medicamentos, e o uso pessoal e doméstico, com dois meses de crescimento forte. A gente vem de uma base baixa de 2023, por causa da crise das lojas de varejo, que gerou fechamento de lojas físicas. E agora estamos vendo reabertura de lojas”, disse Santos.
O gerente do IBGE destacou também uma mudança no comportamento do consumidor, que deixou de concentrar suas compras no varejo em itens básicos – como supermercado – e passou a diversificar mais. Esse cenário é favorecido pela trajetória de queda de juros, iniciada em agosto, que favorece a expansão do crédito.
“O consumo tem mudado. Se antes estava muito focado em produtos básicos, mais de alimentos, começa a ter o protagonismo de outros setores, como de equipamentos e material para escritório, informática e comunicação, entre outros”, afirmou.
Fonte: Valor Econômico