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A vice-presidente dos EUA, Kamala Harris, conquistou ontem o apoio de influentes políticos democratas à sua candidatura à presidência e desencadeou uma onda de doações de campanha que chegou ao recorde de US$ 81 milhões em 24 horas. E já assumiu o papel de candidata ao se reunir com o comando de campanha que era de Biden, em Delaware, para manter a equipe mobilizada. O atual presidente participou por videoconferência do encontro, considerado pela mídia americana como o primeiro ato de campanha de Harris.
Na reunião, Kamala prometeu unir o Partido Democrata e o país para vencer a eleição. E partiu para o ataque contra o rival republicano, o ex-presidente Donald Trump. “Vocês sabem, fui procuradora e lidei com todo o tipo de predadores, fraudadores, abusadores sexuais e criminosos de todos os tipos. Então, ouçam: eu conheço Donald Trump”, discursou ela. “Quero que um futuro de prosperidade e liberdade para a classe de trabalhadores dos EUA seja a marca do meu mandato. Uma sociedade livre da violência das armas, da garantia de que mulheres terão assegurados seus direitos reprodutivos. E sabemos que esse não é futuro pelo qual Trump luta”, disse.
“Nos próximos 105 dias, nas próximas semanas, prometo honrar e merecer o apoio que o presidente Biden me deu”, acrescentou.
Antes, Biden, de 81 anos, com voz rouca, recuperando-se de covid-19, disse aos funcionários democratas que continuassem trabalhando. “Ainda estamos juntos nesta luta”, afirmou. “Continuo aqui. Não vou a lugar nenhum.”
Nas 24 horas seguintes ao anúncio de Biden se retirando da disputa presidencial e declarando apoio a Kamala, a vice-presidente, de 59 anos, foi rapidamente reunindo apoios importantes para consolidar o caminho da oficialização de sua candidatura presidencial. Nenhum democrata graduado anunciou a disposição de desafiar a vice-presidente. Ao contrário, políticos cotados – como os governadores Gavin Newsom, da Califórnia, J.B. Pritzker, de Illinois, e Gretchen Whitmer, de Michigan, e Andy Beshear, do Kentucky – declararam seu apoio a Kamala.
Beshear, de 46 anos, que tirou o Kentucky das mãos de anos de governos republicanos, é tido como um dos favoritos para se tornar candidato a vice-presidente na chapa, de acordo com o site noticioso “The Hill”.
A ex-presidente da Câmara, Nancy Pelosi, que ajudou a empurrar Biden para a saída, também declarou apoio a Kamala. “Meu apoio entusiasmado a Kamala Harris para presidente é oficial, pessoal e político”, declarou Pelosi. O apoio de outros dois importantes nomes do Partido Democrata – o líder no Senado, Chuck Schumer, e o na Câmara, Hakeen Jeffries – era esperado para ontem, quando ambos se reuniriam com a vice-presidente.
A profusão de apoios deixa entrever que o partido pretende seguir unido para convenção – para a qual Kamala já teria garantido um número de delegados suficiente para garantir a indicação do partido. Para garantir a nomeação, ela precisará da maioria dos 3.949 delegados à convenção. Na tarde de ontem, ela havia garantido mais de 1.000 delegados, ou mais da metade do total necessário para reivindicar a indicação, segundo contagem da Associated Press.
O presidente do Comitê Nacional Democrata, Jaime Harrison, disse ontem que o partido deve anunciar amanhã as regras do “processo transparente e ordeiro” que formalizará a escolha do substituto de Biden na chapa da eleição presidencial.
Já no domingo, um grupo de dirigentes democratas representando os 50 Estados manteve uma reunião por videoconferência para endossar, de forma unificada, a candidatura de Harris.
Até ontem de manhã, Harris já tinha entrado em contato com mais de 100 dirigentes partidários, líderes trabalhistas, grupos ativistas, legisladores democratas graduados e legisladores estaduais para pedir o seu apoio, de acordo com uma pessoa familiarizada com o assunto ouvida pela agência Bloomberg.
Pelas regras eleitorais e do partido, como Kamala já era parte da chapa presidencial vitoriosa nas primárias, ela teria acesso direto ao fundo de doações de campanha que tinha US$ 96 milhões de saldo até ontem – no caso de qualquer outro candidato, um processo de miniprimárias teria de ser concluído para que esse fundo fosse liberado.
Na primeira aparição pública após a desistência de Biden, Kamala já tinha homenageado o presidente mais cedo, num evento da Casa Branca, ao dizer que o legado dele era incomparável e superava “o da maioria dos presidentes que cumpriram dois mandatos”.
Uma pesquisa recente da CBS News/YouGov mostrou que Kamala está atrás de Trump por uma margem menor do que Biden em nível nacional. Ela também teve um desempenho dois pontos percentuais melhor do que Biden em dois Estados indecisos, Pensilvânia e da Virgínia, de acordo com uma pesquisa do New York Times/Siena College.
Fonte: Valor Econômico