A atividade de financiamento e transações no setor biofarmacêutico ganhou força no primeiro semestre de 2026, com capital concentrado em ativos de estágio mais avançado, ciência diferenciada e programas com catalisadores clínicos e comerciais mais definidos, segundo o relatório trimestral de licenciamento e venture do J.P. Morgan, elaborado com dados da DealForma.
O licenciamento de P&D foi um dos destaques: o valor anunciado dos acordos alcançou US$ 166,7 bilhões no semestre, mais da metade do total recorde de todo o ano de 2025. As estruturas seguiram fortemente ancoradas em pagamentos por marcos (milestones) — o caixa adiantado (upfront) representou apenas 6% do valor total dos negócios —, o que permite aos compradores garantir acesso aos ativos preservando proteção contra riscos.
Ativos de origem chinesa mantiveram participação desproporcional. As farmacêuticas globais de grande porte fecharam dez acordos de licenciamento com origem na China e ao menos US$ 50 milhões de upfront, somando US$ 4,4 bilhões — o equivalente a 42% dos grandes negócios com esse patamar de pagamento e a 68% dos dólares adiantados no grupo. Os dois maiores licenciamentos do semestre foram AstraZeneca/CSPC Pharma (US$ 18,5 bilhões) e Bristol Myers Squibb/Jiangsu Hengrui (US$ 15,2 bilhões).
No campo de fusões e aquisições, o setor registrou US$ 96 bilhões em caixa adiantado em 80 negócios no semestre, incluindo US$ 55,1 bilhões em 48 operações no segundo trimestre — o segundo trimestre consecutivo acima de US$ 40 bilhões. Foram 33 transações com alvos avaliados em US$ 1 bilhão ou mais, quase igualando as 34 de todo o ano de 2025. Entre os maiores negócios do trimestre estão AbbVie/Apogee (US$ 10,9 bilhões) e GSK/Nuvalent (US$ 10,6 bilhões), anunciados com diferença de 14 dias.
O investimento de venture capital somou US$ 16,3 bilhões em 235 rodadas no semestre, com US$ 9,2 bilhões no segundo trimestre — o segundo maior desde 2021 —, embora o número de rodadas siga abaixo dos níveis históricos. Rodadas de estágio mais avançado (Série B em diante) absorveram 71% do capital, ante 62% em 2025. Os Estados Unidos concentraram 70% dos dólares globais, com São Francisco (US$ 11,3 bilhões) e Boston (US$ 8,8 bilhões) na liderança.
As aberturas de capital reforçaram a retomada do apetite do mercado público: US$ 5 bilhões em 13 ofertas no semestre, superando os totais anuais de 2022 a 2025. A Kailera Therapeutics (US$ 625 milhões) e a Parabilis Medicines (US$ 670 milhões) protagonizaram os maiores IPOs biofarmacêuticos já registrados, superando a marca da Moderna em 2018. O índice XBI, de biotecnologia, subiu 30,2% no semestre, contra 20,1% do Nasdaq e 9,3% do S&P 500, em ambiente de baixa volatilidade (VIX em 16,45).
Na contramão, os negócios voltados a GLP-1, GLP-1R e GIP esfriaram fortemente, com apenas três acordos e US$ 100 milhões em valor divulgado — ainda que o segmento mais amplo de obesidade e diabetes tenha alcançado US$ 22 bilhões, já acima de todo o ano de 2025.
Fonte: JPMorgan
Traduzido via Claude

