5 Jan 2023 AMANDA PUPO EDUARDO GAYER CÉLIA FROUFE
Indicado pelo governo Lula para ser o próximo presidente da Petrobras, o senador Jean Paul Prates (PT-RN) descartou ontem intervir no mercado para conter os preços de combustíveis. Segundo ele, o valor nas bombas continuará tendo como referência o mercado internacional.
Reforçando que não haverá intervenção nos preços, o senador avaliou que foi mal-interpretado no passado sobre o tema. “Uma vez falei ‘quem faz política de preços é o governo’, aí interpretaram que eu estava dizendo que iria intervir porque era do governo. Não. O governo pode simplesmente dizer ‘é livre’, ‘é liberado’, ‘é PPI’, ‘não é PPI’. Mas é o governo quem cria o contexto, e o mercado também. Principalmente o mercado, se falta o produto, se sobra produto”, disse Prates após participar da posse do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) como ministro do Desenvolvimento, Comércio, Indústria e Serviços.
Segundo ele, “a Petrobras reage a contextos”. “Vamos criar a nossa política de preços para os nossos clientes, para as pessoas que compram da Petrobras”, afirmou.
De acordo com o provável futuro chefe da estatal, a tese de que a empresa pode controlar os preços a ponto de afetar o mercado nacional não é verdadeira. “O mercado é aberto, importação está aberta, a Petrobras tem como concorrente todas as refinarias do mundo”, afirmou Prates, que ainda precisa ter o nome aprovado pelo conselho da Petrobras para assumir o cargo.
O mercado reagiu de forma positiva à fala do novo presidente da estatal. O Ibovespa (principal índice da Bolsa brasileira) registrou alta de 1,12%, com forte influência das ações da Petrobras (avanço de 3,18% dos papéis PN e 1,67% dos ON).
Logo em seguida, Prates disse que, “teoricamente”, os preços dos combustíveis teriam de estar mais baixos em março do que agora. “Já está projetando, no contrato futuro para março, com baixa de preços. Então teoricamente março teria que estar mais baixo do que agora. Mas também como entra o imposto. Aí se equilibrar, tudo bem, também. Desde que não aumente o preço, está bom”, declarou.
CONTENÇÃO. Ele voltou a defender um “colchão de amortecimento” para os preços. “A gente fez esse projeto de colocar moeda em vez de porcentual, assim, quando sobe preço, não sobe exatamente na mesma proporção no imposto, mas pelo menos o preço não fica sendo inflacionado por dentro”, disse.
O senador disse que o problema que envolve o preço dos combustíveis não é estrutural, mas que surge diante de crises. “Por que a gente ficou falando tanto disso? Porque a gente teve uma crise. Um país que é autossuficiente de petróleo ele tem uma prerrogativa, tem uma vantagem com relação ao Japão, por exemplo, ele pode se blindar, ele pode se preparar”, afirmou a jornalistas, ressaltando não falar como presidente da Petrobras, já que seu nome ainda precisa ser aprovado. “É algum mecanismo de prevenção especificamente contra essas crises, que seria a tal conta de estabilização de preços.”
NOMEAÇÃO. A Petrobras informou ontem, em fato relevante, que seu conselho de administração aprovou o encerramento antecipado do mandato de Caio Mário Paes de Andrade e nomeou como presidente interino o atual diretor executivo de Desenvolvimento da Produção, João Henrique Rittershaussen. •
Fonte: O Estado de S. Paulo
