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A Hypera está otimista com o plano de entrada no segmento de canetas emagrecedoras, com o lançamento de produto similar à base da semaglutida, princípio ativo dos medicamentos da dinamarquesa Novo Nordisk, fabricante do Ozempic. A patente da substância expirou em março, momento aguardado por laboratórios interessados na fabricação de versões próprias do produto, como EMS, Biomm e Cimed. Atualmente, a Anvisa, o órgão regulador brasileiro, tem cerca de 20 pedidos de registro de medicamento com semaglutida.
“Algo em torno de 60 e 90 dias é o que esperamos para o lançamento após a obtenção do registro [na Anvisa]”, disse ontem o diretor-presidente da Hypera, Breno Oliveira. Segundo o executivo, quedas de preço na molécula hoje disponível no mercado, sob domínio da Novo Nordisk e da Eurofarma, já eram esperadas. “Temos espaço para lançar [um produto] a um preço competitivo e com margem boa para a companhia.”
No primeiro trimestre do ano, ela reverteu prejuízo de R$ 140 milhões do mesmo período de 2025, com lucro de R$ 347,3 milhões, e quase dobrou as receitas, com alta de 86%, para R$ 2 bilhões. A venda direta ao consumidor (“sell-out”), que acelerou de alta de 7,4% no último trimestre do ano passado para 9,4% no primeiro trimestre deste ano, contribuiu para o aumento na receita e foi apontada por analistas de várias casas como o principal ponto positivo do balanço.
O mercado reagiu e os papéis da companhia tiveram a segunda maior valorização do Ibovespa ontem, negociados a R$ 22,73, alta de 3,27%, segundo o Valor Data.
O Citi disse que o avanço no ‘sell-out’ foi “encorajador” e o J.P. Morgan, que foi impulsionado pelo aumento dos investimentos em marketing, iniciados no começo do ano passado, e por lançamentos recentes. Segundo o Bradesco BBI, novas linhas do portfólio contribuíram com 2,6 pontos percentuais para a alta total no primeiro trimestre e, em 2025, com apenas um ponto percentual.
O BTG Pactual atribuiu a alta da receita à conclusão do processo de otimização do capital de giro, em curso em 2025. A casa disse que outro aspecto positivo foi a geração de R$ 63 milhões em caixa livre para o acionista no trimestre.
Por outro lado, a piora na conversão de caixa (tempo que uma empresa leva para transformar seus estoques ou recursos em dinheiro), que aumentou de 167 dias no último trimestre do ano passado para 188 no primeiro trimestre deste ano, combinado com margem Ebitda aquém da esperada, que caiu de 33,5% de outubro a dezembro de 2025 para 29,2% de janeiro a março deste ano, podem pressionar as expectativas para a rentabilidade da companhia, segundo o Itaú BBA. O Santander, porém, observou que a piora no ciclo de caixa foi atribuída pela companhia a efeito sazonal.
A Hypera concluiu o aumento de capital de R$ 1,5 bilhão, anunciado em fevereiro. Com a operação, que teve participação de acionistas do bloco de controle e minoritários, o grupo Votorantim passou a deter 13,2% dos papéis da companhia e diminuiu a distância da holding mexicana Maiorem, hoje com 14,7%. O fundador da Hypera, João Alves de Queiroz Filho, continua o principal acionista, com 25,9% do capital.
A transação ajudou na redução de 17,8% da dívida líquida no fim de março, para R$ 6,3 bilhões, o equivalente a 2,2 vezes o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) das operações continuadas do primeiro trimestre de 2026 anualizado. “Isso reduz a exposição à taxa de juros pós-fixadas em um ano em que teremos eleição presidencial no Brasil e diminui as despesas com juros”, disse o diretor-presidente. Sobre impactos do fim da escala seis por um, tema de proposta de emenda à Constituição que tramita no Congresso, disse que o assunto ainda é avaliado. “Não temos os números, mas não deve ser nada significativo”, completou.
Fonte: Valor Econômico