Por Estevão Taiar e Gabriela Pereira — De Brasília
31/01/2024 05h01 Atualizado há 4 horas
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que, se o Federal Reserve cortar os juros ainda no primeiro semestre, a Selic poderá ser menor no fim do atual ciclo de cortes do que está previsto atualmente. O Federal Reserve, o Fed, é o banco central americano.
“Muita gente tinha a expectativa de a taxa de juros [ser cortada] já em março nos Estados Unidos. Por tudo que ouvi, inclusive nas viagens que fiz, não me parecia o cenário mais provável”, disse ontem na chegada ao Ministério da Fazenda, depois de participar de reunião no Palácio do Planalto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “Mas no primeiro semestre [o início dos cortes] me parece realista, não me parece otimista. Se isso acontecer, vai ser muito bom para o Banco Central (BC), porque aí o horizonte dele pode mudar relativamente para melhor. Isso pode projetar uma taxa de juros terminal neste ciclo de cortes para além do que estamos projetando hoje.”
Para hoje, quando Fed e Banco Central realizam reuniões para decidir sobre as suas taxas básicas de juros, a aposta de Haddad é que “vamos ter uma semana tranquila”.
“O BC está com uma agenda relativamente contratada”, disse.
Atualmente, a Selic está em 11,75% ao ano. O Comitê de Política Monetária (Copom) já afirmou que, “se confirmando o cenário esperado”, todos os membros do colegiado “anteveem” cortes de 0,5 ponto percentual em cada uma das duas primeiras reuniões de 2024. Conforme divulgado ontem pelo BC no boletim Focus, a projeção mediana do mercado é que a Selic encerrará o ano que vem em 8,5% ao ano. Já a taxa básica de juros nos Estados Unidos está entre 5,25% e 5,5% ao ano e não deve ser alterada no encontro de hoje do Fed.
Na avaliação do ministro da Fazenda, “a partir do meio do ano” a conjuntura no Brasil “vai depender um pouco do que acontecer fora”. Mas, justamente por causa da perspectiva de queda da taxa de juros nos Estados Unidos ainda no primeiro semestre, “as notícias para o meio do ano são boas”.
“Estamos trabalhando com crescimento superior a 2% para este ano. Vamos tomar medidas para que isso aconteça”, afirmou. Segundo o ministro, os números de janeiro estão bastante “razoáveis” até agora, sem detalhar quais são esses lados. Além disso, afirmou que o Marco de Garantias aprovado em 2023 “vai mudar o padrão” dos crédito imobiliário, para veículos e bens duráveis no Brasil.
Fonte: Valor Econômico