O eventual prolongamento do conflito no Irã poderá pressionar o risco de crédito das companhias globalmente, especialmente as de setores como aviação, construção e químico, e afetar emissores de dívida com grau especulativo ou que tenham necessidades de refinanciamento no curto prazo. A avaliação é de analistas da Moody’s e aparece em relatório.
Caso o conflito se estenda por vários meses e interrompa os fluxos comerciais, é esperado que os preços do setor energético continuem aumentando e que o crescimento econômico seja desacelerado, ressaltam.
Olhando para o universo corporativo, a equipe da Moody’s diz que esse cenário pode afetar o lucro de companhias aéreas de baixo custo e de empresas que produzem itens discricionários, dada a limitada capacidade de repasse de preços e a demanda enfraquecida. “Em contraste, os setores de energia e defesa estão entre os poucos que se beneficiariam”, afirmam.
As instituições financeiras, por sua vez, devem ter um impacto menor em termos de risco de crédito, embora enfrentem um ambiente de maior volatilidade e de crescimento mais fraco. Na mesma linha, seguradoras e resseguradoras enfrentam maior risco de sinistros elevados, “mas as perdas devem permanecer moderadas para seguradoras diversificadas, graças à subscrição prudente e ao resseguro”, diz o relatório.
Em relação aos títulos soberanos, a Moody’s diz que, fora do Oriente Médio, os títulos da Ásia-Pacífico e, em menor grau, da Europa, são os mais expostos a uma disrupção persistente. Soberanos de menor rating no sul da Ásia são mais vulneráveis, dada a limitação de suas reservas cambiais e de seus amortecedores externos.
Entre os países europeus, aqueles com finanças públicas mais frágeis e menor espaço de política econômica são os mais expostos.
Em outras regiões, como na América do Sul, a diversificação das fontes de energia, os colchões fiscais ou receitas mais elevadas com petróleo, por exemplo, limitam uma deterioração mais ampla do crédito.
Fonte: Valor Econômico
