Por Aime Williams, Financial Times — Washington
02/10/2023 17h04 Atualizado há 12 horas
O custo fiscal, na prática, de enfrentar a mudança climática poderá pôr a dívida pública de países que são grandes emissores de carbono em um caminho “insustentável” sem a adoção de um imposto sobre a poluição, alertou o Fundo Monetário Internacional FMI).
Em capítulo em que aborda a mudança climática, publicado como parte do Monitor Fiscal 2023, o carro-chefe da instituição, economistas do FMI disseram que contar unicamente com medidas baseadas em gastos para alcançar emissões líquidas zero de carbono até 2050 poderá aumentar a dívida pública de um grande emissor “representativo” em até 50% de seu Produto Interno Bruto (PIB).
O FMI, que defende há muito a adoção de um imposto global sobre o carbono, disse que países poderão reduzir esse nível de endividamento e gerar mais receita por meio da implementação de políticas de precificação do carbono. Essas políticas, que impõem custos às empresas com base em suas emissões de carbono, devem ser parte “integrante” de qualquer pacote climático, disse o Fundo.
Quase 50 países já têm programas de precificação de carbono em vigor, segundo o FMI.
A União Europeia (UE), um dos maiores grupos de emissores de CO2 do mundo, acaba de lançar a fase-piloto do primeiro imposto de carbono de fronteira, que deverá estimular seus parceiros comerciais a precificar suas emissões.
Mas, apesar de os governos implementarem programas de precificação de carbono e de subsídios verdes, como os previstos na Lei de Redução da Inflação dos EUA, de US$ 369 trilhões, países ricos ainda deverão ficar aquém de suas metas ambientais.
Os objetivos estipulados pelo Acordo de Paris, pactuado em 2015 e assinado por 189 países, prometem restringir o aquecimento global a cerca de 1,5°C acima dos níveis pré-industriais.
Mas, segundo análise conjunta do FMI e Banco Mundial de um outro relatório publicado ontem, as políticas climáticas preexistentes e planejadas baixarão as emissões das maiores economias do mundo, que formam, juntas, o G-20, em apenas 13% até 2030.
As reduções de emissões ficam “significativamente” aquém da redução de 25 a 30% necessária para alcançar as metas de temperatura global fixadas pelo Acordo de Paris, alertou ontem o FMI.
Um levantamento geral abrangente dos esforços globais publicado pela ONU no mês passado apurou que a Terra continua no rumo para registrar uma elevação de temperatura de nada menos que 2,6°C até o fim do século.
Apesar de quase 200 países terem prometido adotar planos para atingir emissões líquidas zero, muitas deles tendo fixado alvos até 2050, a ONU diz que o mundo “não reúne condições” para isso.
Fonte: Valor Econômico