A poucos pontos da marca simbólica dos 200 mil, o Ibovespa começa a testar não só seus recordes, mas também o grau de convicção dos investidores sobre até onde pode chegar. Relatório do Bank of America (BofA) mostra que, pela primeira vez, cerca de 10% dos gestores já projetam o índice acima dos 220 mil pontos até o fim de 2026.
O movimento chama atenção em um momento em que a bolsa brasileira já opera em patamares inéditos mesmo em meio ao aumento da aversão a risco global diante da guerra no Irã. Nesta terça-feira, 14, o Ibovespa fechou em alta de 0,33%, aos 198.657,33 pontos, após tocar 199.354,81 pontos na máxima intradiária, o maior nível da história.
Com isso, o índice também superou o recorde ajustado pela inflação de 198.950,90 pontos, que não era alcançado há 18 anos.
Apesar do surgimento desse grupo mais otimista, o relatório indica uma recomposição das expectativas. A maior parte dos gestores, 73%, segue projetando o Ibovespa acima dos 190 mil pontos no fim de 2026, patamar estável em relação a março.
Desse total, 43% deles projetam o Ibovespa acima dos 200 mil pontos, uma queda ante os 53% que apontavam esse patamar em março. Entre os mais otimistas, 10% são os que veem o índice em mais de 220 mil pontos até o final do ano. As projeções mais pessimistas são residuais, apenas cerca de 5% projetam o Ibovespa abaixo de 180 mil pontos.
Brasil é a principal aposta na América Latina, diz BofA
O levantamento também mostra que o Brasil segue como a principal aposta relativa na América Latina. Segundo o BofA, 80% dos gestores acreditam que o mercado brasileiro terá desempenho superior ao do México nos próximos seis meses. Há ainda uma visão construtiva em relação aos ativos argentinos no mesmo horizonte.
Do ponto de vista setorial, a preferência dos investidores está concentrada em estratégias ligadas a commodities e exportadoras, vistas como as principais candidatas a superar o mercado no curto prazo. Em termos de alocação, os gestores estão mais posicionados em setores de utilidades públicas e materiais, seguidos pelo financeiro.
O relatório indica ainda que o desempenho recente da bolsa brasileira tem sido mais influenciado por fatores externos do que domésticos. Elementos como a dinâmica do dólar, que caiu essa semana para o menor valor em mais de dois anos, abaixo dos R$ 5 pela primeira vez, e as taxas de juros nos Estados Unidos aparecem como os principais vetores para o comportamento do mercado local.
A pesquisa ouviu 30 gestores na edição de abril, ante 26 em março, que juntos somam cerca de US$ 72 bilhões em ativos sob gestão em casas na América Latina.
Fonte: Exame
